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Diário de um lanesano


























 
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Lanesville
 
Domingo, Julho 27, 2003  
É o que sempre digo: a cada dia o tempo passa mais rápido! E lá se foram mais umas férias. Este post será, em parte, para fazer um balanço das férias e para falar sobre o dia de hoje - afinal, isto aqui, querendo ou não, é um tipo de diário!

Fim de férias: balanço geral

Foram, no geral, muito boas: novas amizades, exercícios, leitura, composição, escrita, viagem, jogos no computador, atualizações no blog... Tudo isso em menos de um mês.
Claro que, às vezes, eu em sentia meio perdido, sem saber o que fazer, pensando em altos planos para a semana, a noite, o fim de semana e, na maioria das vezes, sem levar nenhum deles até o fim. Mas já nem me preocupo mais com isso: é comum acontecer comigo.
Talvez a quantidade de atualizações diminua, mas não se preocupem: vou continuar, sempre que possível, escrevendo novos textos e posts. Estou até pensando em começar mais uma daquelas "séries". Attendez, mes amis!

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O dia hoje foi muito bom, pelo menos até a noitinha. De manhã fui andar com um amigo que mora aqui perto - aproveitamos as férias e andamos vários dias - e, à tarde, fui à casa de meu melhor amigo. Fazia tempo que não ia - o cachorro dele quase não me reconhece! Ele (o amigo, não cachorro...) gravou "Need for Speed: Hot Pursuit 2" para mim e, daqui a algum tempo, vou escrever aquele post sobre games. Esse jogo vale mesmo a pena! E eu adoro "dirigir" aqueles carros que só se vêem em filmes ou em Lanesville...
No fim da tarde, ele me levou para conhecer a casa que a família está construindo, num condomínio aqui perto. Vai ficar muito bonita! E, baseado nela, provavelmente o próximo post será um de "séries".
Aí chegou a noite. Foi estranho: acordei não muito cedo - acho que eram umas nove e pouco - e agora já está me vindo o sono. E não é só sono: uma dor de cabeça terrível parece que vai começar. Mas eu sei muito bem o que é, além da gripe (é, a mesma de alguns dias atrás): são os trocentos problemas que tenho na cabeça, meus complexos, minhas angústias, minhas "neuras" e minhas procupações - das mais banais e fúteis às mais profundas. O pior é que a maioria delas, senão todas, nunca vou ter coragem de dizer a ninguém, mesmo que minha cabeça esteja, como agora, a ponto de explodir. É o meu destino, a minha maldição: morrer solitário e provavelmente louco, em um canto qualquer. Já nem me importo mais. Como disse Antonio Romanni naquela famosa carta a Giuseppe Verdi, depois da première da La Forza del Destino:


"É a força do destino, essa força indômita, que mata pouco a pouco e, no fim, nada mais resta."


Agora, preciso dormir. Amanhã de manhã não terei aula, mas de qualquer forma tenho de ir à faculdade para a alteração de matrícula. Espero que tudo seja organizado este semestre!...

10:11:22 PM Comments:

Sábado, Julho 26, 2003  
Por falta de inspiração para discorrer sobre um só assunto e, principalmente, atendendo a pedidos:

Fragmentos III

Aproveito para começar os fragmentos com uma frase de George Bernard Shaw que li hoje: "Idéias são como pulgas: saltam de uns para os outros, mas não mordem a todos.". Estou precisando de muitas pulgas desse tipo! (Hahaha!) Se bem que tenho conseguido continuar a escrever minha novela (literária) que comecei há algum tempo. Tem ido de vento em popa! Na verdade, muitas das cenas eu já tenho na cabeça, e só falta passar para o papel. Quem sabe eu ainda publico?

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O cachorrinho já está em casa! Faz uma semana, e ontem nós o levamos à veterinária. Já está vermifugado e na segunda-feira receberá a primeira vacina. Depois de muito pensar e de várias hipóteses, chegamos ao nome oficial dele: Astor (/'astor/). Minha mãe, brincando, disse: "Só espero que não o chamem de Astor...fo!". (Hahaha!) Ontem ele completou quarenta dias, e está uma graça! Hoje vou tirar umas fotos dele e com ele, e qualquer hora publico aquelas fotos - as minhas ainda demorarão um pouco a aparecerem no blog...

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Falando em foto, outro dia o jornal daqui publicou a foto da excursão que fiz para Poços de Caldas. Será que alguém consegue me identificar aí?



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Quarta-feira fui à final do II Concurso de Corais da Terceira Idade, no Theatro São Pedro, em São Paulo. Foi muito bom, apesar de muita gente achar que merecíamos o terceiro lugar - levamos o quarto. Mesmo assim, foi um dia bastante agradável.
Quero avisar que, desde já, eu e alguns coralistas não cantamos pois éramos de menor: a idade mínima era 55 anos. Fui lá para torcer pelo pessoal, e dei boas risadas!
Pouco antes de ir para meu lugar, fiquei no saguão conversando com alguns dos coralistas. Eis que me vem uma senhora e começa o diálogo abaixo:
- Você é regente?
- Não, não sou.
- Pensei que fosse. Você tem uma cara bonitinha para ser regente. (Ô mulher mentirosa!...)
- Obrigado...
- Mas você é músico, não?
- Sou...
E ela fez aquela de "A-ha! Eu sabia!". Será que coisas assim estão escritas em nossas testas? (Hahaha!)
Havia alguns corais muito bons, mas percebi uma coisa que me incomoda bastante (seja em voz mais velha ou nova): aquela voz metálica e aberta, muito comum nos coros (ruins) de igreja. Fora os portamentos horrorosos que esses corais costumam fazer (A-ave Ma-A-aria...). O da Basílica daqui é péssimo: cada um canta de um jeito e o resultado é horrível.
Gostei de ver tantas pessoas de mais idade tão joviais. Como disse o apresentador do concurso, a terceira idade "é jovem há mais tempo". De certa forma, eu concordo, e, de alguma forma, creio que muitos dos que estão lá são bem mais jovens do que eu. É como eu disse para meu melhor amigo, num e-mail: "O tempo passou rápido demais. E por cima de mim!"... Outra hora falo mais sobre o assunto.

Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda,
Amanhã velho será, velho será, velho será!
A menos que o coração sustente
A juventude, que nunca morrerá!


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Ontem descobri que não haverá Russo III este semestre. Que pena! Nossa препо tirou licença prêmio e, por algum motivo, não conseguiram efetivar a nova professora. Sendo assim, adivinhem para que lado arrebentou a corda?... Vou ver se estudo sozinho, pelo menos para não esquecer todo este ano. Porém, recebi também uma ótima notícia: Latim VI será num horário ótimo para mim (quinta-feira das 12h às 14h). Quando li o e-mail com esse horário, olhei para cima e agradeci umas três mil vezes! Eu realmente estava apreensivo quanto a esse horário.

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Vocês também ficam com músicas na cabeça? Para variar, tenho estado com várias, sobretudo a "Una furtiva lagrima" - da L'Elisir d'Amore, de Donizetti. Eis a letra (o libretto é de Felice Romani):

Una furtiva lagrima
Uma furtiva lágrima
Negli occhi suoi spuntò...
Em seus olhos apareceu...
Quelle festose giovani
Àquelas animadas jovens
Invidiar sembrò...
Invejar pareceu...
Che più cercando io vo?
Que mais procuro eu?
M'ama, sì, m'ama! Lo vedo, lo vedo.
Me ama, sim, me ama! Vejo-o.
Un solo istante i palpiti
Um só instante o palpitar
Del suo bel cor sentir!...
De seu belo coração sentir!...
Co' suoi sospir confondere
Com seu suspiro confundir
Per poco i miei sospir!...
Por pouco o meu suspirar!...
Cielo, si può morir;
Céus, assim posso morrer;
Di più non chiedo.
Não mais tenho a pedir.

Bonita, não? A música também: Una furtiva lacrima - L'Elisir d'Amore.mid

Bom, os fragmentos vão terminando por aqui. Mas aguardem: outros posts virão em breve!

2:38:37 AM Comments:

Quinta-feira, Julho 24, 2003  

O adeus a um grande humorista

Faleceu hoje, aos 66 anos, o comediante Rogério Cardoso (o Epitáfio de "Zorra Total", e que fez papéis como Rolando Lero na "Escolinha do Prof. Raimundo"). Suas atuações em "Zorra Total" e "A Grande Família" eram excelentes e essenciais, e agora ficará uma grande lacuna no humorismo brasileiro. Rogério Cardoso foi, sem dúvida, um grande humorista, e fará muita falta.

3:29:10 PM Comments:

Quinta-feira, Julho 17, 2003  
Quero pedir desculpas a todos por não ter publicado aquele post sobre interpretação e atuação, mas não consegui acabar. Comecei, mas percebi que ia ficar meio superficial. Prefiro amadurecer melhor a idéia e, posteriormente, publico. Sendo assim, hoje será mais um post de:

Fragmentos II


Droga, estou meio gripado! Uma dorzinha chata de garganta tem me incomodado já há alguns dias, e nem cantar direito posso. Outro dia fui tentar acompanhar a gravação da cabaletta in duetto "Se tradirmi tu potrai", da Lucia di Lammermoor (Callas, Di Stefano, Gobbi et alli - EMI, 1953) e o agudo final saiu estranhíssimo. Tudo bem que Gobbi não o canta - porque não quis, já que ele dá uma nota mais alta no final de uma cabaletta da Rigoletto -, mas sempre tento esse agudo para poder treiná-los melhor. Às vezes sai maravilhoso! (Hahaha!)

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Tenho ouvido bastante música, sobretudo em formato MIDI. Há quem não goste, mas eu gosto bastante de MIDIs e tenho até alguns montados. É bom porque dá para acompanhar a linha de canto!... No momento estou ouvindo um pot-pourri com trechos da Faust, de Gounod. É uma bela ópera! Há um duetto belíssimo para soprano e tenor em que Marguerite, ao se despedir de Faust, diz: "Pour toi je veux mourir." ("Por ti quero morrer") Minha professora de canto disse: "É, só podia ser soprano dizendo isso. Imagine se uma mezzo o diria!". Dei muita risada - ainda mais porque é verdade!...
Um amigo meu ganhou a Poliuto de 1960 com Callas e Corelli. Eu ouvi dizer que La Divina [1] não estava muito bem nessa gravação, mas pelos elogios desse amigo acho que não está. Vou ver se compro na FNAC, já que lá está a um ótimo preço. Espero que não tenha sido comprada: aconteceu isso quando finalmente resolvi comprar a Medea de 1953, com Callas, regida por Bernstein...

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Para quem não sabe, também dou uma de compositor de vez em quando. Claro que não chego à sola de compositores como Giuseppe Verdi ou Antonio Romanni, mas continuo compondo. Também porque não é mais que um hobby, pelo menos por enquanto. Quem sabe um dia eu viro compositor de verdade?... Qualquer hora eu coloco aqui alguma de minhas composições - que ainda são bem poucas.

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Hoje de manhã voltei a reler, pouco depois de acordar, um livro que há algum tempo tinha parado: Le père Goriot [2], de Honoré de Balzac. Ele é, sem dúvida, meu escritor favorito, e quero escrever igual a ele "quando crescer". O primeiro livro que li de Balzac foi Ilusões perdidas e me apaixonei pelo estilo balzaquiano e suas personagens excelentes. Le père Goriot não é diferente: uma dos trechos que li hoje foi o que conta um jantar na pensão de Madame Vauquer (cuja descrição, que inicia o livro, é hilária!). Eu ria alto!
O crítico René Girard tem um interessante livro sobre o romance romântico em que fala sobre a dupla função daquele que tomamos por modelo: quando o modelo é "suplantado", ou antes mesmo disso, ele passa a ser um rival. Embora eu não goste muito da crítica literária psicanalítica, creio que essa tese de Girard é bastante pertinente, embora nem sempre aconteça. Balzac, ainda que um exemplo, um modelo para mim, nunca se tornará um rival. Posso nunca superá-lo - e nem penso em ou quero isso! -, mas tenho uma única vantagem sobre ele: nasci quase duzentos anos depois, e tive a chance de conhecer coisas que ele não pôde [3].
Por falar em modelos, quando (isto é, se) eu passar dos sessenta anos quero ficar com um visual igual ao de Victor Hugo!


Victor Hugo

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E por falar em visual (calma, é o último "por falar em" do post), sábado passado dei uma mudada no meu. Cortei o cabelo e ele, que estava passando do século XIX ao XVIII, agora está meio parecido com o do início do XX! (Hahaha! É piada, claro!) Achei que ficou bom, e bem diferente - eu já estava um pouco cansado do cabelo comprido. E mais gente deve ter achado também: outro dia fui pagar o clube e pegar meu quadro (a exposição já acabou) e, na saída, eis que uma garota me olhou umas duas ou três vezes - eu olhei mais, acho. Ela estava descendo para a academia e pena que eu só ia mais tarde, senão... [4]

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Tenho ido visitar os filhotinhos - lembram-se daqueles de que falei? Estão uma graça! Dia 15 completaram um mês e estão praticamente desmamados, já que os dentes estão crescendo. Mudamos de idéia e resolvemos ficar com um machinho. Quando ele vier para cá (provavelmente hoje) tiro fotos e coloco uma aqui! Agora só falta o nome. Não sei como chamá-lo... Estava pensando em Diko, uma espécie de abreviação para o grego δίκαιος (/díkaios/, "justo"), mas minha tia lembrou bem e disse que poderiam chamá-lo de Dito... Estou pensando em algum nome ainda. Agora me veio à mente o nome Iago, como na peça de Shakespeare e nas óperas (Verdi, Rossini etc.). O que acham?

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Aprendi como colocar links aí do lado e, em breve, vou colocar endereços de sites de que gosto e a que vou sempre, bem como os de blogs e páginas de amigos e visitantes. Aguardem!

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Cena de "Grim Fandango"

Hoje passei parte da tarde digitando o walkthrough [5] de "Grim Fandango", da LucasArts. Para quem não sabe, adoro jogos de computador, principalmente os da LucasArts e similares. Por enquanto não vou adentrar no assunto, mas outro dia publicarei um post só sobre eles!

Por enquanto é só, e em breve publico mais.

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[1] Esse é o apelido que Maria Callas recebeu na década de 50, depois de suas perfomances na Aïda - inclusive na América Latina (México, Brasil e Argentina).
[2] Coloquei o título original porque estou lendo o livro em francês mesmo. É da editora Pocket, que tem uma coleção de clássicos (também tenho Madame Bovary, de Flaubert, L'avare, de Molière, e Les fleurs du mal, de Baudelaire, dela) a baixo preço. Vale a pena, ainda mais porque no fim há algumas explicações sobre cada obra. Além do mais, o francês de Balzac não é muito complicado, só tendo de usar o dicionário para algumas palavras ou verbos e não se esquecendo do passé simple...
[3] Balzac (1799-1850) morreu novo. Porém, conseguiu realizar um objetivo: poucos meses antes de falecer, casou-se com uma condessa polonesa.
[4] Quem lê um trecho como esse deve achar que sou o maior "garanhão catador" da face da Terra. Muito pelo contrário. A continuação daquelas reticências não seria absolutamente nada, dada a minha timidez natural.
[5] Um walkthrough é um roteiro para jogos de computador, em que se escrevem todos os passos a serem dados até o final. Só deve ser usado quando não se sabe de modo algum o que fazer ou como superar um segredo no jogo. De outro modo, jogar seguindo-o perde a graça, além de ser, como se diz em inglês, um spoiler ("estragador").

3:06:40 AM Comments:

Segunda-feira, Julho 14, 2003  



Allons, enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé!

Hoje é 14 de Julho, data especialíssima na França. E não só lá, mas também em Lanesville, já que hoje é o aniversário da Rainha Sophia! Meus parabéns!
Estou ouvindo "La Marseillaise" cantada por Mireille Mathieu para homenagear tanto a França quanto a rainha.

Et vive la France!

(Este foi só um post lembrete. O post principal de hoje, sobre interpretação e atuação, virá mais tarde.)

5:10:32 PM Comments:

Quarta-feira, Julho 09, 2003  

Tia Néia, ou As piadas internas


Dame Edna Everage
Estaria também ela na categoria "Tia Néia"?


Horário político, 2000. Campanha dos vereadores. Um pior que o outro.
O mais interessante é que - não se sabe porque - o horário político transmitido pela CNT não foi o daqui, mas sim o de São João de Meriti, no estado do Rio de Janeiro. Até aí, nada de mais - apesar de aqui ser São Paulo. O hilário (político...) viria depois.
"Espaço reservado aos candidatos do PV", disse o locutor. Um a um, apareciam os canditatos, mudos, e o locutor dizia o nome e o número de cada um. Até que ela apareceu.
Nunca ri tanto na vida. Imaginem uma figura - sim, nada mais que uma figura - com uma cara engraçada. Não era necessariamente feia, mas engraçada. E a voz do locutor: "Tia Néia!". E a frase ficou para sempre, indelével, em minha mente.


Toda essa introdução serviu para o assunto deste post: as piadas internas. Quem é que não as tem, seja na família, entre amigos ou no lugar de trabalho? A piada da "Tia Néia" é uma das piadas internas na minha família, sobretudo entre meu pai e eu. Quando aparece alguma "gracinha" na televisão ou na rua, um logo vira para o outro e diz: "Tia (às vezes com a variação: Sobrinha, Irmã, Prima etc.) Néia!". E caem ambos na gargalhada.
Apesar de a maioria delas ser hilária, as piadas podem ser até um "problema": às vezes rimos sozinhos, por causa da piada, e quem conversa com a gente não entende a razão. Mas também esse tipo de piada traz vantagens: é como um código, e seus conhecedores podem se comunicar sem que outrem sequer saibam do que se trata. E cai-se novamente na gargalhada!
Há algum tempo fiz um pequeno (em vários sentidos...) trabalho sobre piadas contextuais, uma espécie de variação das piadas internas. As piadas contextuais são aquelas que envolvem um determinado assunto e, em geral, só são compreendidas por quem está de algum modo ligado a esse assunto. Difícil? Eu explico.

(Aviso importante: o resto do post ficou um tanto teórico, podendo alguns achá-lo chato ou enrolado. Aconselho, também, a leitura do post anterior, sem dúvida mais light.)

Eis a seguinte piada:

Um bebê acaba de nascer e, antes mesmo de chorar, começa a balbuciar:
― U... U...
Um dos médicos, assustado, diz:
― Este garoto deve ser um gênio! Tiremos um quarto do cérebro dele para estudo.
Os outros concordam. Tiram um quarto do cérebro do bebê, que continua:
― U... U...
Outro médico diz:
― Tiremos mais um quarto do cérebro dele!
Após a operação, o bebê continua:
― U... U...
Outro médico propõe:
― Tiremos o cérebro todo!
E assim foi feito. Já sem cérebro, o garoto começa a cantar:
― "Una furtiva lagrima"...


Eu não conseguia parar de ria na primeira vez que a ouvi - e ainda rio quando a leio.
Mas, você, por que não está rindo? Alguns passos seguidos pelo leitor:

1. Você achou a piada bem besta. Provavelmente depois da última linha você se perguntou: "E daí?"
2. Você não entendeu a piada. Talvez tenha sido sua segunda hipótese, logo após a segunda leitura - isto é, se você a tiver feito. "E daí?" é uma pergunta que não quer calar, e talvez você tenha chegado à conclusão de que faltou alguma coisa para você entender a piada e, assim, poder rir. Se você chegou àqui, logo vai descobrir a graça da piada.

A piada acima é um ótimo exemplo de piada contextual. Além do conhecimento de mundo que temos, ela pede um conhecimento específico que não é compartilhado por todos. No caso acima, trata-se de um conhecimento musical.
Como assim??? Calmatevi, amici!
O segredo está na última frase, "Una furtiva lagrima". Não se trata de algo solto, mas da primeira frase de (e que dá nome a) uma ária para tenor da ópera L'Elisir d'Amore (1832), de Gaetano Donizetti. Estamos quase lá!
Ora, a piada acima trata nada mais, nada menos, do que um dos estereótipos do mundo da ópera: o do "tenor burro" - sobretudo os mais leves. "Ah, agora caiu a ficha!", você deve estar dizendo - e assim espero!
Depois de tanta teorização, vou colocar mais alguns exemplos de piadas contextuais musicais. Um doce para quem adivinhar de quais estereótipos elas lançam mão.

(Aviso importante: desde já quero esclarecer que são apenas exemplos de piadas contextuais, o que não quer dizer que eu concorde com os estereótipos por elas explorados.)

Maestros

- Qual a diferença entre Deus e um maestro?
- Deus sabe que não é um maestro.

- Qual a diferença entre a Clave de Dó e a língua grega?
- Alguns maestros sabem ler grego.


Sopranos

- Qual a primeira coisa que uma soprano faz quando acorda?
- Volta para casa.

- E o que uma soprano faz, após voltar para casa?
- Procura em todos os cantos por seu instrumento.

- Qual a diferença entre uma soprano e um terrorista?
- É possível negociar com um terrorista.


Violas e violistas

- Qual a diferença musical entre o primeiro e o último violista em um naipe de violas?
- Meio tom e dois compassos.

- Qual a diferença entre um trampolim e uma viola?
- Costuma-se tirar os sapatos antes de se pular em cima de um trampolim.


Por fim, uma piadinha de físicos:

- Quando um vetor desmaia?
- Quando perde o sentido.


E a conclusão do trabalho:

Finalmente, pode-se perceber que as piadas contextuais são um gênero um pouco diverso das piadas convencionais, já que aludem a assuntos que nem todos os leitores/ouvintes talvez conheçam. A principal graça da piada contextual pode não ser o tema (Música, Física etc.), mas sim os estereótipos e pré-conceitos que ela estabelece, reforça ou perpetua. Pode ser, também, o jogo de palavras nela usado, seja sonoro, semântico etc. O fundamental, porém, à piada contextual, é o conhecimento de mundo por parte do ouvinte/leitor, a fim de que possa ser satisfeito o objetivo primeiro da piada: fazer rir.

Depois deste blog altamente teórico, logo virá um sobre espelhos, mais ou menos relacionado ao assunto de 1º. de Julho. Aguardem!

(Ah, e não se esqueçam de ler o post anterior, "Notícias de uma semana - ou quase"!)

4:39:07 PM Comments:

Terça-feira, Julho 08, 2003  

Notícias de uma semana - ou quase
Helloooo, possums!
Dame Edna Everage, apresentadora [1]


Puxa, já fazia uma semana que eu não postava! Várias coisas aconteceram, e vou contando aos poucos. Para não ficar muito banal ou boçal, desenvolvo alguns temas à medida que conto como foi esta semana.

Quarta-feira, 2 de Julho
De manhã fui até a faculdade, já que tive alguns assuntos para resolver. Além disso, foi o encerramento do Russo II. Nossa препо [2] vai se aposentar e semestre que vem será uma nova professora, nativa. Mas ano que vem ela volta, como professora convidada.
Assim que vim em casa, tive de sair novamente: era o último dia de uma promoção da BCP e meu pai quis trocar o celular. Fomos para o Maxi Shopping de Jundiaí, agora ampliado, e compramos um novo Motorola para ele. O antigo ele deixou para minha mãe e o Ericsson dele provavelmente será vendido. O Ericsson antigo da minha mãe também terá o mesmo fim. Sobrou para mim o Gradiente pré-pago... (Hahaha!) [3]

Quinta-feira, 3 de Julho
Foi também um dia bem agitado! De manhã minha mãe e eu fomos até o II Concurso de Corais da Terceira Idade, no Teatro São Pedro, em São Paulo. O coral em que eu canto (não cantei no dia) participou e foi colocado entre os dez melhores! A final será dia 23 de Julho. Ano passado pegamos o quarto lugar. E este ano, qual será nossa colocação?
Chegamos já à noite e eu estava morto de cansado.

Sexta-feira, 4 de Julho
A sexta começou bem cedo! Como íamos sair de viagem (para Poços de Caldas), resolvi acordar de madrugada - às quatro - para resolver alguns assuntos antes de ir. Acabei acordando às três e meia - antes de o despertador tocar, com aquele "frio" (entre aspas porque não é bem um frio) na barriga que às vezes me dá - e vim para o computador, mandar alguns e-mails. No fim, nem deu tempo de avisar vocês - eu ia publicar um post - nem de avisar meus amigos mineiros - alguns deles leitores do blog - e deixar o número do celular com eles. Tudo isso porque achei que não haveria acesso à internet lá, mas logo descobriria que havia...
Havia uma neblina intensa e um frio à altura - apesar disso, saí de bermuda e camiseta, só com um agasalho nas costas. Às seis horas o taxi chegou, e lá fomos meu pai, minha mãe e eu. Meu pai ficou na rodoviária, já que suas férias acabaram e ele foi chamado. Pegaria um ônibus até São Paulo e, de lá, um avião para o Rio de Janeiro, onde embarcaria. Minha mãe e eu ficamos na agência de turismo, de onde o ônibus saiu às sete e pouco - aproveitei para reler O cavaleiro inexistente, de Italo Calvino.
A guia que nos acompanhou é uma figura! Parecia até a Patty Pimentinha, aquela da turma do Charlie Brown [4]. A viagem correu bem e fizemos uma parada em Mogi-Guaçu. Lá comprei um saquinho de doce de leite com chocolate. (Atenção: a frase anterior é vital para o entendimento do fim de semana: nunca comi tanto doce de leite na vida! Hahaha!) Chegamos mais cedo que o combinado, e às dez horas já estávamos no Hotel Minas Gerais, em que ficaríamos. Descansamos um pouco, desfizemos as malas e descemos para almoçar.
As refeições merecem um parágrafo à parte. Quem não conhece esse hotel, tem de se hospedar ao menos uma vez lá: é excelente! As refeições são fartas, com ampla mesa de saladas, ampla variedade de pratos e mesa de sobremesa mais ampla ainda! E dá-lhe doce de leite e similares! (Hahaha!)
À tarde fomos, com o ônibus, em alguns pontos da cidade. Já fazia algum tempo (uns cinco anos) que eu não ia a Poços de Caldas, e alguns dos lugares que visitamos eu não conhecia. Apesar disso, esse tipo de passeio é meio cansativo, principalmente pelo senta-levanta em cada lugar a que se vai. Voltamos para o jantar - mais uam daquelas refeições!

Sábado, 5 de Julho
De manhã resolvemos não ir com o ônibus, e fomos dar uma volta pela cidade. Entramos em várias malharias e até eu entrei na onda: acabei comprando umas camisetas e uma camisa de gola alta para mim. Estou virando consumista... (Hahaha!) Voltamos para o almoço e, à tarde, nova rodada de malharias.
Como muitos quiseram ir à missa, o ônibus nos levou. Há quanto tempo eu não ia à missa! Quase não vou: me atrasei no banho e desci correndo, com o cabelo semi-úmido e, assim que entrei no ônibus, ele saiu. Fomos até a igreja de Nossa Senhora da Saúde, simples mas bem bonita.
O que aconteceu lá foi estranho. Nunca me emocionei numa missa tanto como naquela, nem como numa de sétimo dia! Só Deus sabe o que me deu, mas foi tão estranho... Fiquei com os olhos cheios d'água do começo ao fim, e lágrimas rolaram antes da Eucaristia, principalmente depois do "Tomai todos e bebei..." (essa é uma parte da missa de que sempre gostei). Não consegui terminar o Credo, tal era o meu estado. Minha mãe deve ter estranhado, mas acho que fosse começo de gripe - eu tinha acabado de sair do banho para aquele frio, e esquecera o agasalho no hotel. Resolvi comungar, coisa que não fazia há anos. é que eu sempre soube, desde a primeira comunhão, que para comungar é necessário se confessar. Há séculos não me confesso, embora toda noite eu reze, ajoelhado próximo à cabeceira da cama. Só que outro dia ouvi um padre dizer que só é preciso confessar se for algo muito grave. Como meus pecados não atingiram essa categoria, fui assim mesmo. Nunca me senti tão bem numa missa.
Voltamos para o hotel. No corredor para o quarto, eis que duas beldades em roupa de banho (não sei se maillot ou biquini, porque estavam enroladas em toalhas) passam por mim, correndo, em direção a seu quarto. Olhei para cima e disse: "Ei, assim não dá!". (Hahaha!) "Oh, s'io potessi...". Descemos e, depois do jantar, houve um bingo. Não ganhei nada, para variar.

Domingo, 6 de Julho
Já chegara o dia de partir! Tivemos a manhã livre e, assim, fomos até uma feirinha perto do Palace Casino. Comprei só umas lembrancinhas e logo voltamos para o hotel. Não sem antes, claro, eu descobrir no shopping do centro que havia uma loja de informática com acesso à internet... (Era tarde demais!) Depois do almoço arrumamos as malas e descemos. Saímos de Poços de Caldas às 14h, com destino a Águas da Prata.
É uma cidadezinha bonita, bem típica de interior. Paramos numa feira de artesanato e ficamos por lá uma meia hora. Deve ser o único atrativo da cidade nos fins de semana: vi vários jovens e casais da minha idade ou mais novos por lá. Além disso, observando parte do estacionamento da feira, só vi dois carros de Águas da Prata: um Fusca e um Ka. O resto era de fora.
Saímos da cidade e, depois de passar por São João da Boavista e Aguaí, paramos em Mogi-Guaçu, no mesmo posto da ida. Tiramos uma foto em frente ao ônibus (era novinho, daqueles bem grandes e com janelas fixas) - que com certeza sairá no jornal (depois scanneio e coloco aqui!). Partimos e chegamos à cidade perto das 18h. Foi bem mais rápido do que eu lembrava!
Assim que chegamos em casa arrumei algumas coisas e vim para o computador. Comecei a usar a internet e o ICQ, mas quem disse que eu consegui? Tive de pedir licença àqueles com quem eu conversava e fui me deitar um pouco. Levantei às 23h, mas estava tão cansado que voltei a dormir...

Segunda-feira, 7 de Julho
Só acordei às oito, isso porque eu tinha de ir à faculdade. Saí às dez e pouco e resolvi tudo o que tinha de resolver por lá - falei com uma professora, conversei com minha futura orientadora, vi algumas médias e comprei dois livros no sebo (ambos sobre Balzac). Saí correndo porque tinha dentista perto das duas. Voltei, almocei rápido e fui à dentista. Nada de mais: limpeza semestral. Quer dizer, houve um a mais: mandei fazer um molde da minha arcada dentária. Pronto: meus dentes (ou melhor, a forma deles) passaram para a eternidade! Hahaha! (Tenho pensando tanto na morte que é melhor deixar a piadinha de lado. Mas eu sei o que é isso. Outra hora discorro mais sobre o assunto.)
O resto do dia foi quase banal - isto é, se vocês não tiverem achado o meu fim de semana igualmente banal... Voltei para casa, descansei um pouco e, à tardinha, fui ver os cachorrinhos. Estão uma graça! Talvez eu fique com uma das fêmeas mesmo, mas ainda não sei... Fui à cidade e, lá, peguei um rolo de filme que tinha mandado revelar. Não vou scannear nenhuma em que eu esteja, mas quero mostrar para vocês a última foto, de 5 de Março, de alguém que foi, é, e sempre será muito especial para mim:


Já nem me lembrava dessa foto. Deu um aperto no coração quando a vi.

Em seguida fui à academia, voltei para casa e não fiz praticamente nada. Conversei com dois amigos no ICQ - com um sobre línguas românicas e, da outra, recebi uma bronca por não a ter na academia. Eu já disse para ela: gente cega (tenho miopia e astigmatismo) é fogo! (Hahaha!) Depois deixei gravando "As panteras", que passou na Globo há pouco. Que belo (em vários sentidos!) filme aquele!

E lá se foi quase uma semana. A vida passa e a gente nem se dá conta. Em breve, além do post sobre "piadas internas", vou falar sobre espelhos. Foi uma idéia que me veio no hotel e, de certo modo, tem a ver com o post anterior.

Espero que não tenham se chateado com este (longo) post!...

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[1] Dame Edna Everage é a hilária personagem do comediante australiano Barry Humphries. No próximo post coloco uma foto dela!
[2] препо (/prípa/) é a abreviação de преподавателъница (/pripadavátchelnitsa/, "professora", em russo). É assim que costumamos chamá-la - já que преподавателъница é uma baita palavra!
[3] Tudo bem que são cinco celulares, mas dois estão fora de uso. E, além disso, são os modelos mais simplesinhos...
[4] Charlie Brown e sua turma valem um post próprio. Nunca, nem quando criança, me identifiquei tanto com ele quanto atualmente.

1:15:18 AM Comments:

Terça-feira, Julho 01, 2003  

São Paulo Fashion Week, ou Primeiro de Julho
P*ta-que-o-pariu, ô cara!
Dercy Gonçalves, comediante


Calma, eu já explico o motivo do palavrão acima. Foi a reação que tive quando fui dormir ontem - já era hoje, na verdade - e descobri que meio ano já era! Dá para acreditar? Daqui a pouco já estamos no Natal!
Assistindo à televisão ontem de manhã, ao lado dos meus pais, descobri que começou o São Paulo Fashion Week. Primeiro estranhei, porque achei que fosse só uma vez por ano, e segundo "inspirou" tema de post.

O resto do dia teve mais ou menos a ver com isso. Ontem minha mãe e eu fomos até Jundiaí, resolver alguns assuntos dela. Depois disso, passamos no Maxi Shopping - que há pouco tempo foi reformado e teve seu tamanho dobrado. Ficou realmente bom!
Rodamos um pouco pelo shopping e até compramos uma camiseta pólo para mim - quem quiser me dar um presente, pode ser uma pólo: devo ter umas quinze delas! Hahaha!
Estou com vontade de comprar um terno e, assim, tenho visto o preço deles em várias lojas. Algumas têm ótimos preços e uma delas, aqui mesmo na cidade, está vendendo o conjunto terno+camisa+gravata por R$ 189,00! E ainda é possível parcelar! (Que bm!...)
Agora sim, finalmente, entro no assunto principal do blog. Não ligo muito para moda e nem gosto de mulheres muito magras, embora sempre tente pelo menos ser "coerente" no vestir. Tudo bem que eu geralmente visto bermuda, camiseta e tênis (tema com variações, musicalmente falando...), mas almen tento combinar as cores! (Hahaha!)
Não ter corpo para vestir certas roupas às vezes é complicado. Eu, por exemplo, não uso jeans sob hipótese alguma, mas muitas vezes gostaria de usar. Calça, para mim, só de moletom (ou similares) e social. E chego até a ter certa inveja de quem usa jeans sem constrangimento. Eu não conseguiria.
Outra coisa em que andei pensando é essa "ditadura da magreza/beleza" imposta (não vou dizer "pela mídia" porque é muito clichet). Por que todo mundo tem de ser magro/a, de preferência sarado/a, e bonito/a? Concordo que magreza ou gordeza ("obesidade" é uma palavra que eu detesto, e considero ofensiva) em excesso não faz bem à saúde, e a preocupação com ela é que devia ser fundamental. Sempre há a desculpa de "a saúde em primeiro lugar", mas no fundo, no fundo, é a maldita ditadura. E, no fim, estão por aí pessoas depressivas ou neuróticas porque não conseguem atingir o padrão, chegando até a ler o quadro de calorias de qualquer produto antes de comprá-lo ou consumi-lo (Ei, eu também faço isso!...).
É, fazer o quê? Tentar mudar ou se acostumar às nossas condições...

E, em breve, um post sobre "Piadas internas". Aguardem!

7:03:05 PM Comments:

 
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