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Sábado, Agosto 30, 2003
Balanço de Agosto, ou Quase um desabafo
Detesto pessoas que inventam bobagens paliativas antes de encontrar a solução de seus problemas.
Uitellia-Marie de Truual, poetisa lanesana
Il cor ha un sol desir:
La pace dell'avel!
Elisabetta di Valois, ato IV, Don Carlo (1872)
Música de Giuseppe Verdi e libretto de Joseph Méry e Camille Du Locle
Tradução italiana de Achille de Lauzières e Antonio Ghislanzoni
Em primeiro lugar gostaria de pedir desculpas por ficar algum tempo sem atualizar o blog. Já deveria ter escrito há algum tempo, mas não encontrava um assunto interessante para falar. E, como vocês devem ter percebido pelas epígrafes, ainda não encontrei nenhum.
Agosto foi um mês bem "chinfrim" - como diria minha mãe. Não totalmente, claro. O ápice do mês, para mim, foi dia 17, quando estive na Jenůfa, a bela ópera (1904) em três atos do compositor tcheco Leo¿ Janáček. Acreditam que, apesar de ter lido 90% da legenda, consegui entender algumas coisas? Fui fazendo analogia com o russo - afinal, o tcheco também é uma língua eslava.
Fora isso, nada de mais. Ao contrário: esta semana foi péssima. Espero pelo menos estar bem na aula de canto de hoje - assim me sinto menos frustrado com tudo.
Nesta semana me lembrei do interessante livro de René Girard, Mensonge romantique et vérité romanesque. Alguém aí já leu? Li apenas o primeiro capítulo, para Teoria Literária, mas já me "iluminou" algumas idéias.
Um dos conceitos mais interessantes do primeiro capítulo desse livro é a relação apreciador-modelo. Explico melhor: Girard afirma que, com o tempo, a pessoa que tomamos como modelo - de vida, de escrita, de conduta etc. - passa a se tornar um rival, já que tentaremos superá-la. E não é que é verdade? Fiquei com isso na cabeça desde esse curso, que já foi no ano passado.
Falando em rival, descobri que tenho um. E o pior: sei que não posso superá-lo. Não é terrível isso? Orrore! Talvez por esse motivo tenho estado com a cabaletta para barítono da Il Trovatore, "Per me ora fatale". Nela, o Conte di Luna se dirige a Leonora [1] (que não está na cena):
Per me ora fatale,
Para mim hora fatal
I tuoi momenti affretta:
Os teus momentos apressa
La gioja che m'aspetta [2]
A alegria que me espera
Gioja mortal non è!
Alegria mortal não é
Invano un Dio rival
Em vão um Deus rival
S'opponne all'amor mio
Se opõe ao amor meu
Non può nemmen un Dio,
Não pode nem mesmo um Deus,
Donna, rapirti a me!
Senhora, tirá-la de mim!
*******
O detalhe principal da foto é esse belo ipê amarelo, na parte leste da minha casa. Essa foto é de 1996. O sorridente atrás do ipê, que hoje está com o dobro da altura (a árvore, não o sorridente), sou eu. O Boxer era meu primeiro cachorro, Thor, que morreu aos cinco anos, no dia 19 de Abril de 1997, e deixou saudade. Minha casa não é mais branca e ocre, mas sim verde e verde-escuro; tampouco o portão é ocre: agora é branco. O campo ao fundo agora é um condomínio fechado. Como podem ver, tudo mudou. Inclusive o sorridente atrás do ipê...
Pelo menos Agosto está chegando ao fim... para dar lugar a Setembro, mês da primavera. Confesso que não gosto muito dessa estação, talvez porque me lembra que já entramos na curva antes da reta final, ou seja, o ano está acabando. E me vêm à mente as coisas que não fiz e deveria ter feito, as que fiz e nunca deveria fazer. Lembra também aquelas listinhas bobinhas de "Resoluções do Ano Novo". Alguém cumpre aquilo? Eu costumava fazer dessas listas, mas depois desisti. Não sabemos nem o dia de amanhã, quanto mais o ano todo.
Dizem que a primavera em Lanesville é lindíssima. Também, o que é feio em pleno Mar Mediterrâneo?... Por falar na cidade-país, aí vão dois mapas mostrando sua localização exata (o círculo vermelho):
Que frio tem feito, não? Mais frio que isso só meu coração... (Ô riminha tosca!...) Adoro o vento, esse vento que um dia há de levar embora minhas cinzas, mas está frio demais! Hoje quase não fui à academia, à noite. Resolvi ir, na última hora. estou tão para baixo (ou acho que estou, almen) que fico me perguntando por que continuar - não só isso, mas outras coisas também.
Por que?
Why?
Pour quoi?
Perché?
¿Porqué?
quare?
Почему?
δία τί?
Sei lá...
Desculpem-me pelo clima do post de hoje. Como vocês podem ver na barra ao lado, estou "extremamente amargo". E estou mesmo.
___________________
[1] Há nome mais oitocentista que esse? Adoro-o, e todas as suas variações: Eleonora, Leonor, Eleonor, Lenora, Léonore, Alianor etc.
[2] Essa é a grafia antiga para "gioia", mas a pronúncia (/djóia/) é a mesma.
12:36:04 AM
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Domingo, Agosto 24, 2003
Uma nova modalidade de post:
Da série: "Lugares que você deve visitar"
Ah! Le Norrimade... Est-ce qu'il y a autre place comme le Norrimade? Non, non. C'est unique, merveilleux!
Édith Piaf, cantora
Todos sabem que o melhor restaurante de Lanesville, desde 1832, é o Norrimade, na Île Central, próximo à Catedral de Santa Sophia. Trata-se de um amplo palacete, antiga morada do Duque de Tivonsy, que foi comprada por Jean-Paul Norrimade em 1828. Quatro anos depois, o palacete era aberto ao público, e está aberto até hoje.
Na década de 1920, sucessores de Jean-Paul Norrimade resolveram que Lanesville precisava de um bistrot à francesa, com música ao vivo, dança, alegria e diversão. Não que a cidade-país não fosse divertida, mas os jovens Norrimade queriam sobretudo um reduto para pessoas de sua idade, onde pudessem conversar, namorar, beber, cantar etc. Nasceu, assim, o Café Norrimade - na época chamado apenas Norrimade. O desenho que coloquei no post é um que fiz tentando me lembrar do cartaz que vi em Lanesville, o de inauguração do café.
A pequena construção, um palacete laggiano [1] de três andares, é extremamente confortável. Não se trata, atualmente, de uma danceteria ou coisa do tipo, mas o segundo e o terceiro andares só são abertos ao público maior de idade [2]. No primeiro andar funciona um bar com bebidas não alcoólicas, mas que, muitas vezes, são melhores que as demais. É um bom lugar para uma balada, não se esquecendo que o Norrimade é em Lanesville: lá, a música, a aproximação, as cantadas, tudo é diferente. E apaixonante.
No segundo andar funciona um bar normal, com ampla pista de dança e algumas mesas em volta. Quando o Norrimade abriu, em 1926, as músicas mais tocadas para os casais dançarem eram valsas de Strauss II (!!!) e obras de jovens compositores lanesanos. Até hoje, a "música de entretenimento" no reino é bem mais austera do que a que encontramos no resto do mundo.
O terceiro andar tem um pequeno mas eficiente palco para cantores iniciantes ou mesmo mais famosos. Quando Édith Piaf esteve pela primeira vez em Lanesville, em 1936, foi naquele palco que ela cantou - e encantou. Nas visitas seguintes à cidade-país, Piaf nunca deixou de se apresentar pelo menos uma noite no palco do Norrimade.
E é isso aí: quem não conhece pessoalmente o Norrimade, tem de ir pelo menos uma vez na vida!
___________________
[1] O estilo laggiano se refere à cidade terrana de Laggi, na província de Nouvelle Italie. Tem um traço arquitetônico bastante italiano, mas com aspectos inegavelmente lanesanos.
[2] A maioridade no reino é alcançada aos dezessete anos.
10:34:32 PM
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Sábado, Agosto 23, 2003
Mementum mortis
Chi morì tornar non può!
Lady Macbeth, no segundo ato da Macbeth (1847)
Música de Giuseppe Verdi e libretto de Francesco Maria Piave
Pensei em começar o post hodierno (!!!) com "Hoje eu acordei" e continuar com aquela musiquinha besta de uma antiga propaganda da Yamaha (ou seria da Honda?): "Hoje eu acordei / Fui p'ra minha cama / Pus o meu pijama" etc. Mas não.
Hoje acordei e me deparei com minha mãe e minha tia chorando. Infelizmente aconteceu o pior: uma vizinha nossa, bastante amiga, tinha falecido de madrugada.
Um outro vizinho e amigo nosso também faleceu há dez dias da mesma doença, mas ela foi avançando lentamente. Nossa vizinha passou mal na quarta-feira passada e no dia seguinte foi internada, para não mais voltar.
Minha mãe voltou do enterro, em São Paulo, há pouco tempo. Eu não quis ir. Não porque não gostasse dela, ao contrário. Ela era uma pessoa muito legal (até me ensinou a dançar!). Era nova ainda - tinha a mesma idade (dia, mês e ano) da minha tia mais velha. Mas meu estado de espírito não está muito bom para cemitérios, ainda mais aqueles cheios de túmulos enormes e aterradores. Prefiro o estilo do Morumbi, onde estão meus avós, ou o do Parque das Acácias, aqui na cidade, que mais se parecem campos - com placas identificadoras. É uma atmosfera muito mais leve.
Hoje fiquei pensando em escrever um post sobre a morte, mas não acho que vale a pena. É um assunto triste demais e, além disso, não sei se já contei, mas morro de medo de morrer. (Ops!...) Não temo muito o depois porque, catolicamente falando, imagino mais ou menos como seja. Meu pior medo é o durante. É por essas e outras que quero morrer como o Rogério Cardoso, ou seja, dormindo.
Basta. Que fiquem na lembrança as imagens desses dois vizinhos, em cujos enterros eu não quis ir, para me lembrar de como eram em vida. As lembranças, no fim, são as únicas coisas que nos sobram, até que elas também se vão. E nós passamos a fazer parte da lembrança dos outros.
Prometo que ainda hoje coloco um post menos triste. Prometo.
8:14:41 PM
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Terça-feira, Agosto 19, 2003
Filhote, ou Ainda sem assunto...
Nada pior que este tédio mental, que há de me matar!
Jean-Paul Mooorchatty, poeta lanesano
Ainda estou sem muito assunto para escrever - na verdade tenho, mas preciso organizar melhor -, então resolvi colocar uma foto que mandei revelar hoje. Apresento-lhes o Astor, na época com quarenta e dois dias:
Astor, subindo a escada. A sombra na foto é minha. Essa coisa escura no canto direito é o cordão da máquina, que o burrão aqui se esqueceu de tirar da frente.
E aqui, o detalhe mais importante da foto:
11:03:42 PM
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Sexta-feira, Agosto 15, 2003
Entr'acte
Faz tempo que não posto! Também, não tenho tenho tido muitas idéias ultimamente... Acho que, assim como a faculdade, meus neurônios resolveram entrar em greve - e por tempo indeterminado!...
Enquanto isso, fica um aviso de espera em åvyessiano - vi algumas vezes esse aviso numa estação de tv de Åvyesse, quando estive em Lanesville.
2:11:57 AM
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Domingo, Agosto 10, 2003
(Brrrr, que frio! Nem fui à academia hoje, e só saí para pegar o jornal. Passei o dia todo do computador para a mesa e vice-versa...
O termômetro lá de fora informa: 8,5 ºC.
Acabei que não escrevi nada interessante hoje, mas não posso me esquecer desta homenagem. Quem quiser fazer comentários, pode ser no post anterior mesmo.)
Feliz Dia dos Pais!!!
Para os pais que por ventura acessem este blog - apesar de que, na verdade, todo dia é dia dos pais! - e para os pais dos leitores. O meu infelizmente não está aqui (está viajando), mas hoje já falei com ele, pela manhã.
9:36:39 PM
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Sábado, Agosto 09, 2003
Depois de tanto tempo sem postar, nem sei se faço um post de fragmentos ou não... Acho que sim. Então, lá vai!
Fragmentos IV
Esta semana foi boa, mas foi meio assim-assim. (Parece aquela história: "Foi boa mas foi ruim"...) Não, é sério, não aconteceu nada de ruim. Quer dizer, aconteceu: a faculdade resolveu entrar em greve desde a quarta-feira. Pode uma coisa dessas? Quarta-feira nem fui - mandei um e-mail para minha professora e ela disse que não daria aula -, na quinta não tive aula alguma, e voltei na van do meio-dia - eu não ia ficar lá até as seis da tarde para não ter aula -, e na sexta nem fui. Resolvi adiantar meu estágio, e fui conversar com a responsável pela biblioteca municipal. Ela foi muito simpática e disse que provavelmente não haveria problema de eu estagiar lá - ela só teria de falar com o Secretário de Educação. Minha mãe sugeriu, também, que eu fosse até o jornal da cidade para ver se posso estagiar lá. Não sei ainda. Depois conto o que decidi.
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Hoje descobri que não tenho mais idade para fazer duas coisas ao mesmo tempo. Foi de manhã, quando eu voltava da academia. Estava pensando, desde a saída do clube, em como sou desorganizado. Quando Deus estava distribuindo a organização às almas, a minha com certeza estava passeando. Não é possível! Hoje eu estava me cobrando os estudos de canto - minha aula de canto tinha sido um pouco antes, das 8:30h às 10h. Volta e meia me vem à mente: "Você tem de se dedicar mais ao canto! Tudo bem que você canta o dia todo, mas tem de parar uma horinha por dia, pelo menos, e fazer uns vocalises etc. Além disso, o senhor tem de decorar imediatamente a primeira cena da Le Nozze di Figaro, já que vai cantá-la este ano! Assim como precisa estudar muito bem 'Dunque io son' e 'Largo al fatotum', para melhorar os agudos.". E eu sempre me prometo, mas sempre quebro a promessa. Que raiva!
Estava pensando em tudo isso hoje quando, numa rua por que sempre passo, quase me bateram - por minha causa. Ainda bem que não foi nada grave (fiquei tão constrangido que só faltou sumir!). Realmente, não tenho mais idade para fazer duas - a até três! - coisas ao mesmo tempo. Uma pena.
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Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo tão... (não, isso não...) tão... (não, isso também não...) tão... (ah, sei lá!...) quanto eu?
Falando em idade, há momentos em que me olho no espelho e nem me reconheço! Tudo bem que mudei bastante nos últimos seis ou sete anos, mas às vezes me vejo tão envelhecido que pareço ter muitos anos a mais. Vai ver é culpa do espelho! (Hahaha!...)
Nunca fui de me olhar muito em superfícies refletoras, sobretudo quando em público - aí não me olho "nem a pau"! O espelho em que mais me olho é o de casa mesmo, do armarinho do banheiro. É um espelhinho bom porque aproveito para ensaiar expressões faciais para o canto, bem como canto na frente do espelho - para ver alguns pontos da técnica.
Também tenho percebido que nunca fui tão vaidoso quanto agora. Acho que quando se chega à minha idade sem ter feito certas coisas ou sem ter tomado certas resoluções, a gente fica meio desesperado. É esse o adjetivo: "desesperado". E do desespero vêm o exagero, a falta de controle, a loucura, a inconsciência... e este parágrafo abominável.
Ah, como eu queria ter catorze ou quinze anos outra vez! Mas queria estar com minha consciência como agora, e não como naquela época (como se fizesse tanto tempo assim...). Se bem que, quando fiz esse comentário a um de meus melhores amigos, ele disse: "Mas você só é o que é agora por tudo o que passou até hoje.". Verdade. Terrível verdade!...
Outro dia, porém, uma coralista me perguntou quantos anos eu tinha - ela pensou que eu tivesse uns dezessete. Eu disse que não, mas que gostaria de tê-los novamente, ao que ela respondeu: "E eu, então?". Pensei comigo mesmo que ela era nova, e não teria mais que quarenta e cinco anos. E acertei. Só que ela tem quarenta e cinco anos... de casada! Nunca pensei!
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Estão vendo meu humor aí do lado, "sutilmente ousado"? Dias atrás resolvi colocar esse ícone aí, depois de o ver em tantos blogs.
Agora vem a explicação de "sutilmente ousado": é que hoje eu... Não, não posso contar! Foi uma coisa bem inesperada, e talvez eu tenha encaminhado bem a situação. Ou talvez não... Quem sabe? "Oh, s'io potessi!"... Se der tudo certo, juro que conto a vocês! Se não der, coisa que não seria novidade, fica mais uma história no ar, em meio a tantas outras que devem existir por aí...
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Sempre ouvi falar em "intuição feminina", mas nunca pensei que fosse tão certeira! (Calma, calma, senhoras e senhoritas, eu não disse que não confiava na intuição feminina. Só disse que não pensava ser tão certeira.) Aconteceu outro dia - acho que ontem. estava conversando pelo ICQ com uma amiga quando ela perguntou "Como vão as namoradas?". Primeiro que eu ri, ainda mais por causa do plural (bem que eu queria tê-las no plural << "Seu calhorda, machista!" - gritam elas >> Está bem, está bem, exagerei...). Depois da negativa, ela me perguntou se eu estava com alguém, de "rolo" [1]. Outra negativa, e ela, certeira, sentenciou: "Já sei, está a fim de alguém, mas ela não sabe?". Bingo! (Na verdade, a primeira reação foi "Putz! Na mosca!")
"O don fatale, o don crudel"...
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Vocês viram o quiz aí do lado? Montei um sobre mim e, quem quiser, pode respondê-lo. No fim do mês divulgo as respostas e os cinco melhores colocados! Valendo... sua menção no blog!... (Desculpem, mas é o máximo que tenho a oferecer, pelo menos por enquanto.)
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Estou há dias prometendo um post sobre interpretação, mas não há meio de eu conseguir terminá-lo! Até o fim do mês ele sai, com certeza.
Só quero, de antemão, dizer que nesse post vou parabenizar de "O Jogo". O programa pode ter sido péssimo (não gosto do Zeca Camargo), mas os atores que fizeram os habitantes da cidade são muito bons!
Bem, pessoal, por enquanto é só. Amanhã escrevo mais - e quem sabe, desta vez, não sai um post específico?
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[1] Acho péssimo o uso mais moderno do verbo ficar. Prefiro, nesse caso, sair.
11:31:30 PM
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Domingo, Agosto 03, 2003
(Olha o que a falta de imaginação e do que fazer - embora eu tenha o que fazer - não faz...)
Da série: "Diálogos que podem acontecer com você" (Versão ICQ)
Para efeitos de não repetição, chamemos o Indivíduo 1 de "Fulano" e o Indivíduo 2 de "Beltrano". A terceira personagem, feminina, será chamada "Sicrana". Trambos [1] têm entre 17 e 20 anos, embora este diálogo pode acontecer com pessoas de qualquer idade.
Fulano - E aí, tudo bem?
Beltrano - Tudo! E você?
Fulano - Eu também! Foi bom o fim de semana?
Beltrano - Foi sim! Fui no cinema. E o seu?
Fulano - Foi bom também, só fui na balada! Hehehe! Que filme você viu?
Beltrano - "Exterminador 3". Tava legal, até.
Fulano - Se der vou ver! Viu, você conhece a Sicrana?
Beltrano - Claro, por que?
Fulano - Ela é bonita?
Beltrano - CARA, ELA É MINHA NAMORADA!!!
Pausa longa de Fulano, que pensa: "Putz!".
Beltrano - RESPONDE, POR QUE VOCÊ PERGUNTOU???
Um pouco mais de pausa. Fulano está constrangido.
Fulano - Exatamente! Então é a mesma. É que outro dia me falaram sobre ela e eu disse que não conhecia, mas comentaram que era sua namorada. Desculpa aí, não foi por mal!
Beltrano - Tudo bem, não tô bravo. Preciso sair. Falou!
Fulano - Valeu, até mais!
Fulano, pensando: "Putz, dessa eu me safei!...".
Está rindo? É, essa poderia ter acontecido com você... Ou mesmo comigo.
___________________
[1] Se "ambos" se refere a duas pessoas, "trambos" se refere a três...
9:58:40 PM
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Sábado, Agosto 02, 2003
Acabei de descobrir que hoje é "aniversário" de morte de Enrico Caruso, considerado por muitos o maior tenor do século XX. Não discordo completamente, embora eu prefira outros, mas só acho que o problema de Caruso é que suas gravações, das duas primeiras décadas do século, não são de boa qualidade. Não me refiro à qualidade vocal do tenor, mas sim à da fita. Se essas gravações fossem remasterizadas, como muitas das de Callas, quem sabe não poderíamos aproveitar melhor a voz de Caruso?
Para quem não o conhece, aí vai uma foto: [1]
Enrico Caruso
(Ele está meio que parecendo o Poirot, não?)
Vou aproveitar para digitar (sei lá, deu vontade...) um soneto de Álvares de Azevedo que li [2] outro dia. Me lembra um pouco, de certo modo, aquele clima musical de Lanesville, que começou no século XIX e perdura até hoje.
Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a divisão se erguia
Apenas entre nós - e eu vivia
No doce alento dessa virgem bela...
Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
Música mais do céu, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela
Como era doce aquele seio arfando!
Nos lábios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!
Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
É sentir todo o seio palpitando...
Cheio de amores! E dormir solteiro!
(Putz, essa linha final é um balde de água fria!...)
O próximo poema que vou colocar aqui, mas só daqui a vários posts, é "Se se morre de amor", de Gonçalves Dias.
Gosto bastante de poesia, e até escrevo, mas minhas poesias são péssimas. Outro dia eu estava lendo uma que publiquei em 2001, "Homenagem a Giuseppe Verdi e a Vincenzo Bellini" (era centenário de morte daquele e bicentenário de nascimento deste). Mas que droga de poesia! Espero que não tenham se ofendido... Mais para frente farei uma homenagem mais digna aos dois.
___________________
[1] Se por acaso vocês acharem que estou colocando muita foto no blog, é só avisar. Paro no mesmo instante.
[2] In FARACO, Sergio (org.) Livro dos Sonetos: 1500-1900, Porto Alegre: L&PM, 2002
11:47:34 PM
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No creo en horoscopos, pero...
No esperes: ligue djá!
Walter Mercado, astrólogo
Tive idéia de escrever este post já há algum tempo. Primeiro, tenho de explicar que faço parte de um grupo por e-mail (o da formatura) e, "no pacote", veio um serviço de horóscopo. Como não faço a mínima idéia de como desabilitar isso, acabo lendo de vez em quando. Das duas uma: ou esse troço funciona mesmo ou os textos que lá estão são tão generalizantes que acabam realmente servindo para qualquer um em qualquer momento da vida!
Eis alguns dos que achei interessantes (com meus comentários em itálico):
23 de Julho de 2003
Seu Horóscopo: Deixe seu orgulho de lado e procure expressar mais seus sentimentos. (Como se fosse simples...) A lua em sextil com Vênus (???) favorece o convívio afetivo e para se ter harmonia será necessário concessões mútuas.
Dica do Dia:Seja mais flexível com você mesmo. (Missão impossível II) Sua exigência e cobrança pessoal deverão ser equilibradas com doses de valorização e auto-preço. ("Auto-preço"? Tenho isso não, sinhô...)
24 de Julho de 2003
Seu Horóscopo: Tudo o que você precisa para se sentir feliz hoje, é a sensação de que não está sonhando sozinho. (Claro, é um sonho coletivo...) A vida está pedindo respostas imediatas para desafios muito práticos e concretos, mas elas só podem aparecer na medida em que consiga compreender de que maneira elas vão definir um novo rumo na sua vida. (É piada isso?)
Dica do Dia: Procure seus amigos. Eles estarão de braços abertos para lhe acolher em qualquer ocasião. Isso com certeza acalentará seu coração cansado de tantas batalhas! (Tão cansado que já desisti de muita coisa...)
30 de Julho de 2003
Seu Horóscopo: Não entre em conflito (Hahaha!), ou se veja solitário (Hahahahaha!), por sentir necessidade de expressar um lado mais elevado de seu ser para as pessoas à sua volta. Cada um vê a vida de um jeito diferente do outro. (Feliz ou infelizmente...)
02 de Agosto de 2003
Seu Horóscopo: Suas bases estão cada vez mais seguras e isso faz muito bem a você que gosta de se sentir com os pés no chão. Aproveite para começar a realizar seus antigos sonhos. (È tardi...)
Dica do Dia: Bom momento para você fazer uma terapia que o/a ajude a se conhecer melhor. (Nunca!) Ou se já está fazendo, é o momento ideal para se aprofundar e descobrir emoções guardadas no fundo do baú. (Não, esse baú já está no fundo do mar...)
(Sim, eu ganhei: este foi o pior post de todos. O melhor, talvez, foi mesmo aquele que não consegui editar e ficou só um ponto. Um ponto, o começo e o fim de tudo. Οιμοί!... Tudo bem, sou meio exagerado mesmo...)
11:03:12 PM
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Sexta-feira, Agosto 01, 2003
De volta ao batente, ou Uma semana cansativa
Ah, ma io... Ah, ma io... Ritorno a viver... Oh, gioia!...
Última fala de Violetta Valéry na La Traviata (1853), de G. Verdi
Ufa, a semana terminou! Acho que por ser a semana de volta das férias, foi bastante cansativa, sobretudo a quinta-feira. (Nem sei porque citei La Traviata aqui... Detalhe: depois dessa frase, Violetta morre...)
Vai ver eu citei esse trecho porque, além de sempre me emocionar com ele, estou bem cansado ultimamente. Sabe quando se está cansado sem ter feito muito? Pois é... Esse cansaço é, de certa forma, em virtude daquilo de que eu falava no último post. É, pensar muito e sofrer por isso também cansa...
Encontrei (e pedi para guardar) um Ulysses, de James Joyce, lá no sebo próximo ao IEL. É uma tradução do Antonio Houaiss, estava a um bom preço (R$ 31,00). Será que é bem traduzido? Nunca ouvi falar do Houaiss como tradutor, mas levando em conta o nível de seu dicionário, ele deve ser excelente.
Hoje aconteceu uma coisa diferente: aprendi a trocar pneu! Tudo começou quando minha aula de Licenciatura (das 14h às 18h), por ser o primeiro dia, acabou mais cedo. Liguei para casa e perguntei para minha mãe se ela podia me pegar. Ela concordou e, algum tempo depois, chegou. Na volta, eis que ouço um barulho estranho. Porém, como uma moto passava ao lado, não percebi que era isso - só fui perceber quando um Omega me ultrapassou (eu estava na faixa de esquerda e dei passagem) e continuou buzinando. Paramos o carro pouco antes do Shopping Galleria e percebemos que o pneu estava no chão... Lá vou eu trocar - isso porque nunca tinha trocado um pneu na vida! Mas até que me dei bem: em quinze minutos o serviço estava pronto - e minhas mãos, cheias de graxa. Pensamento engraçado do momento: "Ainda bem que eu tenho malhado, senão ia demorar umas três horas para fazer tudo!"! (Hahaha!) No caminho para casa, paramos rapidamente num posto para ver como estava o pneu (perda total...). Amanhã temos de comprar outro.
Por enquanto, é só, mas pretendo postar mais depois. Para não deixar o post sem foto, vou colocar uma de uma das paixões da minha vida - quem não a conhecia, passa a conhecer.
Maria Callas, La Divina
Aqui vestida de Violetta Valéry, em 1958 - acho
11:57:23 PM
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