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Perfil
José Luiz
23/05/1982
Gêmeos
Ler, escrever, ouvir música, cantar, jogar tênis
Literatura, música clássica, cães, nobreza, heráldica, automóveis, jogos de computador, etiqueta
Barítono
Romântico-realista
Eterno apaixonado
Honoré de Balzac, Victor Hugo, Alessandro Manzoni, Italo Calvino, Edgar Allan Poe, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Martins Pena, Gonçalves Dias...
Giuseppe Verdi, Gioacchino Rossini, Vincenzo Bellini, Gaetano Donizetti, Giacomo Puccini, Wolfgang Amadeus Mozart, Luigi Cherubini, Gaspare Spontini, Antonio Carlos Gomes...
Maria Callas, Montserrat Caballé, Joan Sutherland, Renata Tebaldi, Tito Gobbi, Rolando Panerai, Alfredo Kraus, Franco Corelli, Mario del Monaco, Giuseppe di Stefano, Édith Piaf, Mireille Mathieu, Elis Regina...
Estudante de Letras (4º. ano)
Português, inglês, francês, italiano, latim clássico, russo, espanhol e grego clássico
Lendo Le Père Goriot, de Balzac
Páginas interessantes:
Karadar
LucasArts
Maria Callas
Snoopy
World of Monkey Island
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Quarta-feira, Outubro 29, 2003
Alfin ritorno!...
Uma semana se passou rapidamente, e as atualizações estão ficando cada vez mais raras... Mas não se preocupem: nunca vou abandonar o blog!
Dada a falta de um assunto-chefe, vai aqui um novo tipo de post:
Résumé-Paper I
Ah, as novidades! Normalidade dos loucos e loucura dos normais.
Jean-Sébastien de la Riwesterry, poeta e pensador lanesano
Miracol!... Miracol d'Iddio!...
Una donna, no terceiro ato de Santa Sophia (1876)
Oratório quasi ópera
Música de Phylyppe Svynkxamnos
Letra de Adalberto di Svarnese
Começo o post com uma notícia triste, que soube há pouco. Morreu hoje, aos oitenta e dois anos, o tenor italiano Franco Corelli, um dos melhores tenores do século XX. Sua morte com certeza é uma grande perda para o mundo operístico.
Entre inúmeras gravações de sucesso, não posso deixar de citar a Poliuto, de Donizetti, gravada em 1961. Ninguém menos que Maria Callas co-estrelou essa ópera ao lado do grande Corelli.
É, o mundo perdeu uma estrela...
Franco Corelli, ao lado de Maria Callas, na Poliuto
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Realmente foi um milagre: no domingo fui a uma ópera aqui. Sim, aqui, nesta cidade! Dá para acreditar?
Era um grupo chileno que estava fazendo intercâmbio cultural no Brasil. Apresentaram a Dido and Aeneas (1689), de Henry Purcell. O grupo é excelente! Vale a pena assistir.
Tanto gostei que hoje repeti a dose: o Teatro Polytheama, em Jundiaí, foi palco da última apresentação desse grupo no Brasil - pelo menos nesta temporada. Quem não viu, perdeu um maravilhoso espetáculo, hoje com marionetes também, tornando-o ainda mais interessante.
Quem sabe eles voltam em breve?
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Como na segunda-feira foi decretado feriado (hum... rima interna... tsc, tsc) estadual, não tive aula. Comecei com uma ótima aula de tênis (pela primeira vez cheguei ao tie break!) e depois fui para a academia. O resto do dia foi quase como uma segunda-feira normal, apesar de boa.
O que gostei nesse dia - e no fim de semana também - é que pude adiantar muito minha novela (literária, claro). Já terminei a segunda parte e estou quase acabando a terceira! Acho que nunca passei por período tão imaginativamente (?!) produtivo. De certa forma, conheço um dos motivos (mais abaixo conto)...
Ia tirar a tarde para estudar grego, mas quem disse? Comecei só depois que voltei do inglês, ou seja, umas oito horas da noite. Fiquei até a meia noite estudando e depois acordei às cinco para dar mais uma olhada.
Quando recebi a prova, no dia seguinte, percebi que nem precisaria ter estudado tanto: era apenas a tradução do primeiro parágrafo de uma seção que já tinhamos traduzido em classe, bem como a descrição morfológica de dez palavras. Ufa! Se eu for bem nessa prova, nem preciso fazer a segunda.
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Na própria terça-feira, à tarde, tinha (ou achava que, almen) encontro no estágio. Sendo assim, voltei de van na hora do almoço e, mais tarde, fui para a faculdade de novo, desta vez de carro. Claro que antes dei uma passada na FNAC e, ao contrário da maioria das vezes, desta comprei alguma coisa.
Não foi muita [1] - afinal, minha conta no banco não permite! (Hahaha!) Comprei um CD da Montserrat Caballé, com trechos de óperas (adorei o CD! Outra hora falo mais nele) e "Num passe de mágica", o sétimo e último pacote de extensão do "The Sims".
Sei que estou devendo um post sobre games, mas em breve o escreverei. Se você gostam desse tipo de jogo, não podem perder "Num passe de mágica". É muito, muito bom! A trilha sonora, com muito uso de acordion (parece até música francesa, que eu adoro!), está perfeita!
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Hoje foi dia muito bom, embora eu o tenha começado meio mal-humorado. Depois passou.
O resto do dia foi bem agradável e o ponto alto foi o ensaio que tive das 15:30h às 18h. Adoro os ensaios de Ópera Estúdio (a professora é simplesmente maravilhosa!), embora costume depois ficar com uma leggera dor de cabeça - só hoje foram mais de dez Sóis agudos, metade deles sustentados. Sabem o que é isso para um barítono?
Porém, sei que não foram só os agudos - bem dados, humildemente afirmo - a causa dessa dor de cabeça. Hoje à noite, no ônibus que me levava para o Polytheama, tive profundas e inigualáveis reflexões pessoais. Amorosas, principalmente. Talvez eu tenha me decidido finalmente a me esquecer dela, por ter percebido que ela e eu não combinamos. Será que não? O dubbio crudel! Às vezes já nem sei o que pensar...
Aliás, sei. Adapto para mim uma frase de Amina [2]: "Que ela seja tão feliz quanto eu sou infeliz."...
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Vocês já viram o novo Palio? Está maravilhoso! (Eu quero! Eu quero! Hahaha!) O lançamento oficial será dia 7 de Novembro. Já combinei com minha mãe de irmos até a Fiat para dar uma olhada - o vendedor de lá deve pensar: "Ih, lá vêm aqueles pobretões de novo ver condições de pagamento..."! (Hahaha!)
Está aí um link para quem quiser conhecer a nova "cara" do Palio.
Por enquanto, é só. Espero não ficar tanto tempo sem atualizar o blog. E não ficarei, eu prometo!
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[1] Eu e meus helenismos... Estão cada vez mais freqüentes!
[2] Personagem principal da La Sonnambula (1831), ópera em dois atos com música de Vincenzo Bellini e libretto de Felice Romani.
11:11:24 PM
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Domingo, Outubro 19, 2003
Voltei, voltei!
Quero agradecer imensamente os comentários aos dois últimos posts e, depois de um longo tempo sem atualizar (o último post, de 14 de Outubro, [que espero que vocês leiam], foi editado hoje), trago novidades comigo! (Parece que estou muito animado, mas não é nada disso...)
E, para contar muitas coisas ao mesmo tempo, nada melhor que um post de
Fragmentos V
Ritorna vincitor!
Aïda, no primeiro ato da Aïda (1871)
Música de Giuseppe Verdi
Libretto de Antonio Ghislanzoni
L'amor è un certo che
Disperar mi fa
Ária antiga de Giovanni Paisiello
Ah, o horário de verão! Detesto o verão, mas gosto do horário. Por mim, ficaria assim na maior parte do ano! (Hahaha!)
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Ontem fui ao lançamento de uma antologia. A entidade que lançou foi a Casa do Poeta de Campinas, e o evento foi no prédio da Academia Campinense de Letras. Contou com a participação da Banda Santa Cecília, daqui da cidade.
Quanto à banda nem falo nada, porque afinal não sou tããão anônimo assim na cidade.
O evento em si foi bem interessante, apesar de meio cansativo - quase todos os participantes da antologia recitaram ao menos uma de suas poesias. Algumas delas eram maravilhosas, mas outras...
O que percebi foi que pelo menos 60% das pessoas tinham mais de 60 anos de idade. Da minha faixa etária deveria haver, sem brincadeira, umas cinco pessoas. Tenho uma consideração a fazer: a idade μέν traz a experiência, a qualidade e a serenidade, e a juventude δέ traz o entusiasmo e a joie de vivre. [1] Seria bom que ambas as faixas etárias estivessem em equivalência, ou melhor, seria interessante que os jovens participassem mais de tal tipo de evento.
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Na sexta-feira fui passear. Aliás, foi engraçado como tudo aconteceu: eu não teria aula na faculdade, e resolvi que iria cumprir algumas horas no estágio. Porém, na quarta à tarde, quando voltei da prova de latim (traduzir Salústio foi meio complicado!), aconteceu o seguinte diálogo:
Minha mãe: Hoje a Silvana [2] ligou e disse que está montando, para sexta-feira, um grupo para irmos a Pedreira. Você quer ir?
Eu, depois de pensar um pouco: Claro!
E assim foi: não estive no estágio e passei praticamente o dia todo passeando. Estivemos em Jaguariúna e Pedreira, e ainda passamos por Arcadas, Amparo e Morungaba (onde tomei um delicioso sorvete de cupuaçu!). Foi boa a viagem, já que conheci cidades novas - nem sabia que Arcadas existia, para falar a verdade!
Quero ver se nos próximos fins de semana vou para outras cidades da região: Indaiatuba, Valinhos etc. Tomara que dê certo!
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Estou completamente perdido no grego! E eu ia tirar a tarde de hoje para estudar. Perguntem se estudei? Nem...
Falando em grego, você sabem o que quer dizer κρείσσων? É o comparativo relativo de "bom", ou seja, "melhor". Coloquei essa palavra aqui porque se parece muito com o nome de um personagem muito engraçado da televisão. Alguém consegue identificar?
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Já ouviram falar num cachorro que muda de cor? Pois é, o Astor está assim: os pêlos da cabeça ficaram amarelos e, agora, começam a ficar brancos. (Até brinquei dizendo que ele parece o filho da Vanusa...) De que cor ele ficará, afinal?
Seja como for, está cada vez mais engraçado. Tirei algumas fotos dele e, assim que forem reveladas, colocarei aqui.
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Por falar em fotos, enfim resolvi criar um fotolog. Ainda não coloquei muita coisa lá, mas com o tempo melhora - o mesmo aconteceu a este blog. Em breve também colocarei meu ICQ disponível para quem quiser me adicionar à sua lista.
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Está decidido: vou fazer um curso de chinês. Não será nada muito aprofundado, pois será apenas um curso de extensão da faculdade, que durará cinco dias em Fevereiro próximo.
A professora apresentará aspectos culturais da China, bem como sua língua. Será interessante! Mais uma língua para adicionar ao meu curriculum uitae...
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A cada dia que passa, vejo que minhas chances com ela diminuem mais e mais. O rival maior continua, acho, embora outros rivais menores tenham aparecido. A estes, ao menos, eu talvez possa me equiparar.
Será paixão ou atração? Amor ou paga-pauzice? Talvez se fossem as segundas opções, eu não sentiria ciúme e não estaria pensando no que ela está fazendo agora...
Quantas vezes desisti e voltei a pensar nesse amor? Ah, basta de indecisão! Agora está resolvido: realmente não sei o que fazer...
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Mas que calor! Termino o post como comecei: falando mal do calor. Além disso, voltam os mosquitos, as moscas, as baratas. Por outro lado, vêm os novos sabores de sorvete, o horário de verão, as chvas rápidas e refrescantes. (Bem se vê que tento ser o mais centrado possível - vide o meu Romantismo-Realismo -, embora nem sempre consiga...)
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[1] As partículas μέν... δέ (/mên/.../dê/), tão usadas no grego clássico, querem dizer "por um lado... por outro lado".
[2] Silvana é quem monta os grupos para ir ao teatro - ou, no meu caso, à ópera. Geralmente vou em grupo à ópera, pois é mais fácil. Aliás, a próxima a que vou é a Salome, de Richard Strauss.
9:27:11 PM
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Terça-feira, Outubro 14, 2003
O adeus à grande dama da canção
L'amour, ça fait pleurer, comme quoi l'éxistence
"Milord" (1959), um dos sucessos de Édith Piaf
Je m'incline devant l'image de celle que fut la plus grande de toutes.
Mireille Mathieu, cantora
Há quarenta anos faleceu aquela que foi - e ainda é - a maior cantora popular da França.
Eu iria escrever um texto sobre ela e mandar para o jornal, mas, por falta de competência, o texto não ficou pronto a tempo. E não ficará, pelo menos até o fim de semana. Assim, antes de o mês acabar mandarei uma pequena biografia de Piaf ao jornal daqui.
Édith Piaf nasceu Édith Giovanna Gassion em 19 de Dezembro de 1915, em Paris. Há lendas até mesmo de seu nascimento: dizem que teria nascido na rua, em frente à casa de seus pais, na Rue Belleville. Outras versões - são várias - desmentem o fato.
Filha de um contorcionista e de uma cantora, Édith aos quatro anos foi levada para a Normandia, onde morava a avó paterna. Isso aconteceu porque sua mãe nunca estava em casa para criá-la, e a avó materna, que cuidava da pequena menina, era tida como beberrona - há quem diga que ela colocava vinho na mamadeira da neta.
A outra avó, porém, não estava em situação melhor. Era dona da "casa de conveniência" da cidade e, convenhamos, não é o melhor lugar para se criar uma criança. Aos oito anos, seu pai a foi buscar e juntos fizeram uma breve tournée pela França e alguns países vizinhos. Voltaram a Paris e lá continuou a educação da pequena Édith.
Pequena literalmente. Seu 1,47m de altura davam-lhe um aspecto frágil e desprotegido. Foi isso que Louis Leplée, seu primeiro protetor, viu em Édith enquanto ela cantava, já aos vinte anos, nas ruas de Paris - em Pigalle, bairro nem um pouco nobre da Cidade-Luz.
Édith foi convidada por Leplée para cantar em sua bem freqüentada casa de espetáculos. Lá, ganhou um pseudônimo: Môme Piaf ("moça pardal", em francês). Tal pseudônimo a seguiria pelo resto da vida, apenas restaurado seu prenome.
Leplée foi assassinado em 1935, e Piaf ficou transtornada com sua morte. Nos anos seguintes, a cantora continuaria a avançar em sua carreira, nunca se esquecendo de seu primeiro protetor.
Teve vários amores, e casou-se algumas vezes. O último marido, Théo Sarapo, era bem mais jovem do que ela. Casaram-se em 1960, quando Piaf já estava fisicamente debilitada, ainda mais frágil do que antes.
A voz quente, forte e apaixonante, não parecia vir daquele corpo pequeno e franzino. Piaf cantou os dissabores e as paixões do povo francês, com sua pronúncia vibrante e calorosa. O "populacho" ganhou voz, de forma distinta e única. Suas canções, que geralmente falam sobre o amor, são verdadeiramente poéticas e belas, retratos de tempos que não voltam mais.
Édith Piaf morreu em 14 de Novembro de 1963, aos 47 anos de idade. Com sua morte, terminou uma época de ouro da canção francesa. Felizmente, Piaf deixou inúmeras gravações, regravadas posteriormente por famosos cantores - como Mireille Mathieu, sua discípula mais famosa. É de Mathieu, inclusive, uma frase que ilustra belamente toda a devoção que os artistas franceses ainda cultivam pela maior cantora da França: "Eu me inclino diante da imagem daquela que foi a maior de todas.".
Algumas fotos de Piaf:
Se alguém souber de mais algum detalhe interessante para a biografia, é só me avisar!
6:06:56 PM
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Sexta-feira, Outubro 10, 2003
O último capítulo
Quando a luz dos olhos meus, na luz dos olhos seus, na luz dos olhos seus, na luz dos olhos seus...
Nesta vida há coisas que são sagradas, e uma delas talvez seja ver o último capítulo de uma novela - principalmente a das oito. Como não poderia deixar, assisti ao último capítulo de "Mulheres Recauchutadas", digo, "Mulheres Apaixonadas", que terminou há pouco. Estou rindo até agora.
Primeiro, quero dizer que não gosto da escrita do Manoel Carlos. O meu "desgosto" pela obra manoelcarlosiana veio depois que descobri ser ele o autor da série "A presença de Anita". Poupem-me, por favor. Porém, é como uma amiga minha disse outro dia: "Funciona muito bem ao que se presta.". Concordo plenamente: como novela, funciona. E só, na minha opinião.
Um dos erros do Manoel Carlos é dizer que suas novelas "retratam a realidade". Quem disse que a ficção tem de retratar a realidade? Isso é culpa do Naturalismo do fim do século XIX, essa "praga" que veio e não nos largou mais. Além disso, acho o texto muito extremado, ou seja, há uma mistura entre passagens excelentes com passagens não lá muito boas.
Exemplifico: fiz questão de assistir pelo menos a trechos desta última semana. Na segunda ou na terça (ou foi na semana passada?) a personagem Heloísa, vivida por Giulia Gam, disse bonitas falas, sobre o Sol da primavera que entrava pela janela, mas não aquecia seu coração. Confesso que me surpreendi.
Porém, logo vêm os clichets, as frases "mal ligadas", as estranhezas etc. Se o autor faz isso de propósito, ponto para ele - porque o trabalho é muito bem feito.
Sem contar as "bolas fora" que o texto manoelcarlosiano de vez em quando dá. A de hoje foi hilária: sabem qual o nome completo da professora alcoólatra (interpretada pela Vera Holtz, uma atriz de que gosto bastante)? Santana Gurgel! Movidos a álcool, claro...
E aquele discursinho escrito pelo Fred (um que morreu, e não vi por causa da chuva de ontem)? Logo depois da última frase, minha mãe, que assistia à novela comigo, disse algo hilário. Acompanhem a reconstituição:
- ...e minha passagem pela escola fez de mim parte do que sou. - disse a professora "Carquel", como magistralmente apelidou o "Casseta & Planeta".
- ...um babaca. - completou minha mãe. Rimos os dois, bem alto!
Outro "ponto fraco" deste último capítulo foram as resoluções de algumas das personagens. A morte do Fred, o novo amor da Lorena (de que falarei abaixo), a surra da Dóris etc. Parece um conto que li outro dia, escrito por um aluno de oitava série, que terminava mais ou menos assim (parecendo ter sido adicionada depois de muito tempo, a pedido de outrem):
Quanto ao tio, ele voltou para o Quênia com o sobrinho, e lá viveu muito feliz.
Um ponto alto do capítulo foi a cena em que Dóris ajuda uma senhorinha (conseguiram encontrar um casal de velhinhos mais velhinhos que os avós dela!). Achei, porém, que o texto ficou fragmentado demais, fazendo com que a senhorinha parecesse ser meio doida. Bom, valeu a mensagem.
E aquela festa, para reunir todo o elenco? Putz, isso é a coisa mais típica de peça/ópera cômica, por exemplo. Vide a Le Nozze di Figaro (1789), a Il Barbiere di Siviglia (1816) ou a Falstaff (1893), em cujas cenas finais todo o elenco canta - e encanta, lógico.
Sem contar que o capítulo não acabava mais, enchendo a paciência de todo mundo, e o fato de colocarem atores no último momento. Viram o Gianecchini? Só faltaram colocar a Dercy Gonçalves no papel da avó de algum dos alunos, xingando todo mundo porque não lhe avisaram da festa...
Acho que é só. E chega de novela: não vou assistir a "Celebridade". Esnobação por esnobação, prefiro os snobs de Lanesville.
(Momento cultural: sabem qual a origem de snob? Vem do latim sine nobilitate, ou seja, "sem nobreza". Era uma expressão utilizada em relação aos burgueses ricos, mas sem títulos. A palavra em questão se originou da abreviatura s. nob.)
11:11:02 PM
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E São Pedro exagerou, ou Uma quaresmeira especial, ou ainda Muitos humores num só dia
Chove, chuva, chove sem parar...
Vittoria, vittoria!
Ária antiga de Gian Giacomo Carissimi
O que foi aquela chuva de ontem???
Breu. Escuridão. Eram quase sete horas da noite quando cheguei da faculdade, tendo enfrentado muita chuva e granizo (acho que foi granito mesmo!...) na estrada - por sorte, vim de van. O loteamento (só não digo "condomínio" porque vão achar que moro em algum protótipo de Alphaville...) estava completamente às escuras. Uma chuva fina ainda caía. Minha mãe e minha tia estavam no carro. Entrei e começaram a me contar sobre os estragos provocados pela imensa tormenta. Dentre eles, estava um que nunca pensei que aconteceria: a chuva atingiu a quaresmeira.
Nunca fui muito ligado a plantas. Não gosto de mexer com terra. Costumo observar árvores e flores, sentir seu perfume, inteirar-me dos nomes e dos possíveis benefícios que seu chá pode trazer. Gosto, também, de presentear com flores - são tão belas e efêmeras quanto um ser humano. Admiro as árvores altaneiras, que a cada dia se extendem mais em mais em direção ao céu, sem nada para lhes impedir. Prezo suas sombras frescas, fonte de abrigo e proteção.
E a chuva atingiu a quaresmeira, a bela quaresmeira, com cujas flores eu contava para embelezar ainda mais nosso quintal. Naquela noite não pude ver, mas hoje percebi o quanto a chuva foi cruel com ela, partindo-a sem piedade, como quem parte um coração. Confesso que fiquei sentido ao ver, pela manhã, o resultado funesto daquela chuva.
A quaresmeira, em 1992. Pouco depois (ou teria sido anos antes?) dessa foto, a planta foi (fora) atacada por cupins.
A mesma quaresmeira, florida, dez anos depois.
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Aliás, aproveito para falar sobre um dia excepcional como hoje. Não que tenha sido um dia maravilhoso, mas foi bem interessante. Um dia de muitos humores.
Começou meio triste, com o dia nublado. Não foi esse o motivo da tristeza, afinal os dias nublados são meus favoritos. A tristeza veio por constatar o que realmente acontecera à quaresmeira acima citada. Tirei algumas fotos e, assim que revelá-las, coloca-as aqui. Depois, vim até o computador. A internet não conectava - o modem tinha queimado. Eu, que costumo desligar o computador da tomada, não o tinha feito. Senti-me um idiota, e tive de levar o PC ao técnico.
Fui para o estágio, mas tive de ficar pouco tempo - aproveitei para estudar para a prova de Psicologia do Adolescente, que seria à tarde. Na saída da biblioteca (onde estou estagiando), eis que o furor me subiu à cabeça: uma notificação presa no limpador de pára-brisa do carro, fruto da incompetência da guardinha do estacionamento rotativo. Fiquei fulo da vida. Só não fui atrás da fulana porque com certeza faria um escândalo. Nunca ninguém me viu realmente brabo, e espero que nunca vejam.
A raiva passou um e, depois do almoço, fui para a faculdade. Lá estudei um pouco mais para a prova e, ainda que entediado, estava um tanto quanto apreensivo. Às duas horas, a prova finalmente veio. Eram apenas três perguntas e, apesar de parecerem fáceis, tudo vai depender da correção da professora.
Fui embora, passei algum tempo na Saraiva do Shopping Iguatemi (embora não tenha comprado nada) e voltei para casa. Saí novamente e fui pegar o computador - por sorte, o preço do conserto foi dez vezes mais barato do que eu pensava. Senti-me aliviado.
Para terminar o dia, fui para a academia. (Ô riminha interna idiota!) Pensei que fosse haver mais gente no clube, porque foi hoje a final do Concurso Garota/Garoto Tubarão na Rede. Sincera(e maldosa)mente, das finalistas, acho que só se salvam duas ou três. Creio que amanhã saberei o resultado.
Foi o último sentimento do dia: satisfação. Ao terminar os exercícios, fui me pesar. E não é que a dieta que estou fazendo está funcionando? Saí muito contente de lá, pensando que desta vez tudo dará certo!
9:57:05 PM
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Domingo, Outubro 05, 2003
Repensando o blog
Hoje é domingo, pé de cachimbo...
Melodia popular
Calma, calma, não vou terminar este blog. Só estive pensando na situação dele no último mês.
Ao ver as datas das atualizações, realizei que, além de ter tido posts apenas semanais, o blog está quase um diário, sem muitos assuntos em pauta. Prometo que, a partir desta semana, pensarei em alguns assuntos - um por post, por exemplo -, a fim de tornar o blog menos "hoje-eu-fiz-isso-e-vi-Sicrana-e-et-cetera".
Enquanto isso...
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O fim de semana foi normal, quase rotineiro. O diferente aconteceu ontem, quando estive no lançamento da 3a. antologia infanto-juvenil da AEPPTI [1], de que faço parte [2]. Foi boa, como nos outros anos, e logo será o lançamento da antologia Encontros VII. Avisarei com antecedência a data.
Abre parêntesis. Aliás, quase encontrei aquela de que falei há alguns posts no lançamento do livro - havia uma chance de ela estar lá. Por sorte não estava - ou não a vi... Fecha parêntesis.
Lembram que no post passado falei sobre a série da academia? Pois bem, mudou na sexta-feira. Para vocês terem uma noção da nova série, estou dolorido até agora (por ter ido sexta, ontem e hoje), e duvido que eu vá amanhã. Agora, só na terça. A essa série dei o carinhoso apelido de "Como se matar saudavelmente"...
Hoje consegui escrever um pouco mais da novela. Foi apenas um pequeno diálogo, mas achei que ficou bom. Espero ano que vem publicá-la e, quando (se) isso acontecer, informarei a data e o local. Aproveitando: estou para mandar alguns contos para uma editora até o fim do ano. Torçam por mim!
Vou terminando este confusíssimo (?) post por aqui. No próximo, serei mais claro - espero.
___________________
[1] Associação dos Escritores, Pintores, Poetas e Trovadores de Itatiba, fundada em 17 de Maio de 1997.
[2] Digo, faço parte da associação, não da antologia - afinal, não sou mais infanto e cada vez me sinto menos juvenil...
11:11:05 PM
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Sábado, Outubro 04, 2003
Da série: Pensamentos bobos que assolam minha mente
Às vezes, como eu queria/gostaria de...
Querer nem sempre é poder.
Amilkar Strassy, filósofo lanesano
...ser mais alto.
...ter olhos claros.
...ter outro tipo físico.
...saber nadar e andar de bicicleta.
...ter nascido em Paris ou em Lanesville.
...ter nascido no século XIX.
...ter tido irmãos.
...ser menos tímido.
...ter mais lábia.
...morar na cidade.
...ter uma casa na cidade, pelo menos.
...ter uma pequena casa ou apartamento em Lisboa.
...saber a origem de minha família.
...descobrir que minha família é nobre.
...ser conhecido por muitas pessoas.
...ter catorze ou quinze anos outras vez.
...não me sentir tão envelhecido.
...ter tido uma educação bilíngüe.
...poder realizar todos os meus sonhos.
...ser imortal.
...morrer no dia seguinte.
...ver como seria minha vida se tudo o que eu queria tivesse acontecido...
11:47:05 PM
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Quarta-feira, Outubro 01, 2003
Começo de Outubro
Or son contento!
Paolo, Ato II, Il Sciocco di Villanticca, ossia Una Triste Alegria (1867)
Música de Phylyppe Svynkxamnos
Libretto de Edgardo Fradeticininni
Depois de uma semana pesada e de um 30 de Setembro triste e apático, nada como uma quarta-feira alegre! Acabei de chegar em casa e vou contar como foi tudo.
Hoje o dia foi radiante. Mais ou menos parecido à última quarta, mas mesmo assim excelente. Comecei o dia indo à academia - amanhã, até que enfim, acabará a série que estou fazendo. Depois, fui para a aula de tênis. Desde que voltei a jogar, há um ano, acho que foi a aula em que tive o melhor desempenho! Voltei para casa, fui para o estágio e, à tarde, para a aula de canto. Novamente o "Dunque io son" saiu excelente, com um Sol agudo brilhantíssimo. [1]
O dia só não foi perfeito porque recebi uma notícia não muito legal: meu melhor amigo, que faz inglês comigo, terá de parar o curso porque mudou de emprego. Fazer o quê? Torço para que tudo dê certo para ele!
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Lembram que falei no aniversário dela? Pois não liguei, não liguei! E não pretendo ligar tão cedo.
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Para que este post não fique banal demais, vou colocar uma pequena nota da Gazetta Åvyessiena de 27 de Setembro de 1997, falando sobre a visita da Rainha Sophia XXVII à cidade, há exatos seis anos. É um texto bem inteligível.
La Regne de Lanesville, Sophia XXVII, enata en Pare, èdepta alo troneau en cet anno, venit a Åvyessen lo proxime 1mo Octåbro pår salutare lis åvyessiens. La regne faciet un điscooor pår lis åvyessiens enlo Palas Mooonicipal, ooobi realisabitår maxima cérimonie. Tooos les personnæ invitantår.
___________________
[1] Uma das provas da boa emissão do Sol foi a dor de cabeça subseqüente, com que estou até agora. Quer dizer que a nota foi emitida na região certa.
7:32:12 PM
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