|
|
| |
|
|
| |
|
Perfil
José Luiz
23/05/1982
Gêmeos
Ler, escrever, ouvir música, cantar, jogar tênis
Literatura, música clássica, cães, nobreza, heráldica, automóveis, jogos de computador, etiqueta
Barítono
Romântico-realista
Eterno apaixonado
Honoré de Balzac, Victor Hugo, Alessandro Manzoni, Italo Calvino, Edgar Allan Poe, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Martins Pena, Gonçalves Dias...
Giuseppe Verdi, Gioacchino Rossini, Vincenzo Bellini, Gaetano Donizetti, Giacomo Puccini, Wolfgang Amadeus Mozart, Luigi Cherubini, Gaspare Spontini, Antonio Carlos Gomes...
Maria Callas, Montserrat Caballé, Joan Sutherland, Renata Tebaldi, Tito Gobbi, Rolando Panerai, Alfredo Kraus, Franco Corelli, Mario del Monaco, Giuseppe di Stefano, Édith Piaf, Mireille Mathieu, Elis Regina...
Estudante de Letras (formado) e de Lingüística (complementação)
Português, inglês, francês, italiano, latim clássico, russo, espanhol e grego clássico
Lendo trocentos livros ao mesmo tempo
Páginas interessantes:
Allegro
Classic Trash
Karadar
LucasArts
Maria Callas
Snoopy
Supercars
World of Monkey Island
Blogs que leio:
Álcool com Açúcar
Angel 7000
Art.manha
Bobo Único
Delirium Tremens
Descaminhos
Fogo Grego
Il Trovatore
Lua Melancólica
Meio Mundo
Mentes Insanas
Mingau das Almas
Natashinha
Odds and Ends
Os meus olhares
PrótonsNEWS
Serial Kisser
Só por hoje
Touch yourself
Túlio di Bão
Und so weiter...
(Se eu me esqueci de algum blog, por favor me desculpe!
É só avisar que eu coloco o endereço aqui.)
|
|
|
|
|
| |
Terça-feira, Março 30, 2004
Por falta de um título melhor, lá vai mais um
Fragmentos X
Io m'en vado in un ritiro
A finir la vita mia.
Donna Elvira, no Ato II da Don Giovanni (1787)
Ópera em dois atos
Música de Wolfgang Amadeus Mozart
Libretto de Lorenzo da Ponte
Que mais dizer agora? Não sei.
O que há de vir agora? Tampouco sei.
Deixo que o tempo se encarregue de tudo.
Bartolémy, no Ato III de A desilusão (1830)
Tragédia em cinco atos de Abayllard Kiloumy
Ma non ti posso sprimere
Quello che sento in me.
Pery, no Ato I da Il Guarany (1871)
Ópera em quatro atos
Música de Antônio Carlos Gomes
Libretto de Antonio Scalvini e Carlo d¿Ormeville
utinam illam nunquam amassem!...
Claudius, no Ato II da Conuiuium lanesuillianum (1971)
Tragicomédia pseudo-latina em três atos de Jean-Baptiste Ménonsard
Olá! Como estão todos? Eu, artisticamente, estou ótimo!
Explico: ontem estive em São Paulo, no Theatro Municipal, assistindo à Colombo (1892), de Carlos Gomes.
Na verdade, Colombo é "oficialmente" um oratório, mas como pode ser encenado acaba sendo chamado de ópera. E, musicalmente, faz jus ao nome.
A música, num estilo bem gomesiano - misturado ao verdianismo que influenciou toda uma geração -, é belíssima. O coro que encerra o primeiro ato, que se passa numa igreja (com direito a órgão de tubos), é de uma energia arrepiante. O finale, conhecido como "Hino ao Novo Mundo", é revitalizante, bastante marcial. O timing é muito preciso e, de certa forma, verista: os quatro atos, coesos, se passam em menos de noventa minutos. Uma belíssima obra, a última composta por nosso maior operista.
Aliás, Carlos Gomes é muito injustiçado. Parte da culpa é, como sempre, do século XX, mas desta vez da primeira metade dele. Grandes artistas do Grand Siècle foram injustamente diminuídos pelos modernistas de 22, no seu repúdio tolo à moda oitocentista. O principal deles foi Oswald de Andrade (o "poetinha imbecil" [1], como diria um conhecido meu), que detestava Carlos Gomes - mas não mais do que detesto o Oswald e todas essas vanguardas novecentistas, claro.
O pior, porém, estava por vir: o pós-1950 consegue ser muito pior que a primeira metade do s. XX, embora haja (várias) exceções. A partir da década de 60, é um tal de invencionices cretinas que eu, este espírito do Primo Ottocento, não suporto. Essa busca pelo novo a qualquer preço, pelo chocar a sociedade, pelo transformar radicalmente a Arte, é ridícula. Quando nossos contemporâneos desprezam o antigo para criarem suas mediocridades, esquecem que é necessária uma base, assim como uma construção sólida precisa de um alicerce. Quando criam concertos para helicópteros e músicas mudas, acham que estão contribuindo para o futuro da Arte, mas não estão: que o tempo os engula de uma vez!
Eu, como Eça de Queiroz, defendo uma retomada do antigo, seja em qualquer tipo de Arte - literatura, música, pintura, escultura etc. Chega de músicas eletroacústicas, de literatura marginal e de instalações. Basta disso tudo!
Retomemos os grandes movimentos antigos - todos, mas eu particularmente retomarei o Romantismo-Realismo do s. XIX - e os transformemos a nosso favor, trazendo a grande Arte de volta aos palcos, livros e museus. Abaixo a vanguarda e as invencionices nonsense! Abaixo a objetividade exaustiva do s. XX!
Prometo que ainda este ano sai meu primeiro livro, de contos, e nele meu prefácio-manifesto.
Quem viver, lerá!
*******
O que foi aquele furacão, ciclone ou whatever que deu no Sul do país???
O susto maior: eis que no sábado meu pai telefona e diz que está em Imbituba (Santa Catarina). Naquele momento, já havia sinais do que estava por vir, mas nada ainda confirmado. Graças a Deus nada aconteceu a ele - o navio em que ele trabalha, inclusive, foi ajudar dois barcos que estavam perdidos em alto-mar. (Tem hífen? Estou com preguiça de ir ao Houaiss...)
Era só o que faltava para o Brasil! O que virá depois? Um vulcão?...
*******
Domingo passado veio em casa o fotógrafo da empresa que cobriu a colação e o baile de formatura. (Ao usar o verbo "cobriu" parece que foi um megaevento! Hahaha!) Ele trouxe o álbum e, em breve, chega a fita, ou melhor, o DVD (!!!) dos eventos. (Ainda bem que eu saí do baile sóbrio, porque a maioria estava beeeeem mal! (Hahaha!)
Foi uma leve e parcelada facada, mas vale a pena. As fotos ficaram ótimas, fora uma ou duas de que não gostei muito. Qualquer hora tento scannear uma delas (das de que eu gostei, lógico!) e coloco aqui.
*******
De certo modo, porém, não estou completamente bem. Ainda o coração está meio ferido e as coisas [2] ainda não se reestabeleceram.
Ah, sim, só quero fazer um esclarecimento: ela não morreu de verdade - Deus me livre! (batendo na madeira três vezes.) Foi só modo de dizer. Quem adivinhou o que realmente houve foi o Túlio, em seu comentário, na primeira tentativa (vide os comentários ao post passado).
Cabe a mim o quê? Mortificar-me!...
*******
Não sei se já contei, mas acho os hai-kais (acho que o plural certo é "hai-ku"; alguém me corrija, пожалуйста) uma forma de poesia interessantíssima. Usando de extrema maestria, o poeta tem de escrever algo sutil, simples e principalmente conciso. Os resultados de grandes poetas japoneses - como Bashô - são excelentes.
Apesar de (tentar) escrever poemas com uma cara mais oitocentista, vez por outra experimento alguma outra forma poética - como oitavas camonianas, por exemplo. Desta vez, resolvi tentar um hai-kai. Será que deu certo?
Mesmo nas noites frias
Durmo com o ventilador ligado
P'ra não ouvir meus pensamentos.
(Podem falar: é péssimo!...)
*******
Abre parêntesis.
Ontem à noite, depois da ópera, assisti ao fim de "Domingão do Faustão" - é a única parte do programa a que assisto, por causa das videocassetadas (os comentários do Faustão são muito engraçados!).
Eis que, então, vem o Tom Cavalcante fazer algumas imitações impagáveis. E imitou até a retardada do BBBestaldo de que falei no post passado, a Shell Lange [3].
Parece que ela está no paredón desta semana, não? Tomara que saia de uma vez!
Fecha parêntesis.
*******
Dia desses na aula de Ópera Estúdio minha professora comentou sobre uma ária cômica em que a cantora começava: "I want to be a primadonna, donna, donna...". Eu, curioso como sempre, fui procurar. E achei!
É da ópera The Enchantress, do compositor Victor Herbert. A ária, que na realidade começa com "Mama is the queen and papa is the king, so I am the princess...", é hilária! Seu outro nome é "Art is calling me".
Achei-a aqui.
Por enquanto é só. Com certeza depois de publicar lembro outros assuntos de que eu queria falar, mas não há problema. Falo no próximo post.
Até lá!
___________________
[1] Paródia ao próprio Oswald, que chamava Carlos Gomes de "operista imbecil".
[2] Por que fica tão feio usar "as coisas" em português e em latim, bem como em grego, pode ficar tão elegante?...
[3] "Shell Lange" é como a chamam no Charges.
9:56:29 PM
Comments:
Terça-feira, Março 23, 2004
A semana, ou A morte de um amor
Tutto è finito!
Adriana, no Atto IV da Adriana Lecouvreur (1902)
Ópera em quatro atos
Música de Francesco Cilea
Libretto de Arturo Colautti
O rendetemi la speme,
O lasciatemi morir!
Elvira, no Ato II da I Puritani (1835)
Ópera em três atos
Música de Vincenzo Bellini
Libretto de Carlo Pepoli
Alla morte a cui m'appresso...
Beatrice, no Atto II da Beatrice di Tenda (1833)
Ópera em dois atos
Música de Vincenzo Bellini
Libretto de Felice Romani
O título, ou melhor, o segundo título é bem sugestivo e traz o cerne (!) deste post.
Está tudo acabado. Recebi uma notícia péssima (para mim, claro), ligada a ela.
Sim, que eu mate meu amor - ou se não fosse amor, seja lá o que fosse -, pois as esperanças chegaram ao fim. Acho que vocês podem imaginar o que houve, não?
Basta! Não falarei mais nem dela nem de nenhuma outra aqui. Fechem-se as portas deste coração e que ele endureça para sempre. Para sempre!
*******
Depois de um início melodramático - e, como tal, exagerado (afinal, é a minha cara! Hahaha!) -, vem um trecho mais tranqüilo.
Adivinhem o que ouvi ontem à noite, antes de dormir? Tal era meu sentimento, só pude ouvir uma obra: o Requiem de Verdi, composto em 1874 em memória do grande Alessandro Manzoni (1785-1873).
Para quem não sabe, um requiem (do latim requies, ei, "descanso") é uma missa fúnebre. Ela tem basicamente os mesmos trechos de uma missa (musical) tradicional, incluindo-se alguns particulares.
Creio que a parte do Requiem de Verdi que mais impressiona é seu "Dies Irae" ("Dia da Ira", ou "Dia do Juízo"). O trecho em si tem uma força única, e retorna em vários trechos - na última vez, com variação - como que sempre lembrando aos mortais sobre o Dia do Julgamento. Seu "Lacrymosa", que descreve o estado da Virgem Maria durante a morte de Cristo (e depois dela), é também belíssimo. Começa em cânone, primeiro com os solistas e, posteriormente, estende-se ao coro.
O fim do Requiem, coroado por um sublime "Libera me, Domine, de morte aeterna" é emocionante. A soprano termina cantando essa frase, com um acompanhamento simples da orquestra, sempre em pianíssimo. É quase um sussurro, como nas orações sussurradas que enviamos a Deus. Independente de se ter uma religião ou não, o Requiem de Verdi - bem como outros requies - ultrapassa os limites da Igreja e pode (deve, eu diria) ser ouvido por qualquer pessoa. Sua beleza musical é envolvente. Uma das grandes obras sacras do século XIX, sem dúvida.
Uma curiosidade: sabiam que a última obra de Mozart foi seu Requiem, que ele deixou inacabado? O compositor austríaco, bastante debilitado, só conseguiu escrever até metade do "Lacrymosa". Dois compositores terminaram essa belíssima obra sacra: um deles, o trecho inacabado; o outro, Süssmayr, terminou a obra segundo o estilo mozartiano. Há quem não goste desta terminação, mas particularmente acho que Süssmayr fez um ótimo trabalho - mesmo sabendo que Mozart foi único.
*******
A derrota, por um lado, é ótima para a inspiração. Fervilham na minha mente idéias para poemas e para a finalização de minha novela - que ainda não consegui terminar... Delineam-se os contornos de obras futuras, bem como as imagens que essas obras descrevem; vêm-me as palavras certas, como que escolhidas a dedo, que se encaixarão perfeitamente; vêm-me as metáforas, as sonoridades adequadas a cada ação: junto com o texto vem uma melodia a ele combinante, funesta ou dileta.
Ó inspiração! Desce dos Céus, vinda dos poetas, e recai sobre minha cabeça!
La vengeance, capítulo XII
Romance (1894) de Sébastien Ymmoooblet
*******
Ah, o outono! Acabou-se o calor do verão (que nem foi tanto assim) e começa agora a época do ano de que mais gosto, ou seja, o período Março-Setembro.
Tomara que o inverno este ano seja bem frio! Hum!
*******
Momento BBBestaldo da semana:
Alguém duvida de que nesta edição do programa ganhará, outra vez, o mais retardado da casa? (Mais retardada, no caso.)
Os retardados que me perdoem!
*******
Sexta-feira tive aula de canto.
Uma coisa que percebi é que ultimamente tenho tido medo de soltar a voz. Sei lá o que se passa na cabeça (nem Deus sabe, tampouco Freud explica! Hahaha!), mas deve ser medo de que ela "quebre" (um termo para "desafinar"), que não tenha um timbre bonito ou, no mínimo, adequado.
Ou, talvez, porque eu a ache grande demais. Modéstia à parte, é uma voz grande (nada exagerado), contrastando com meu jeito tímido de ser - bem como minha voz de fala. Aliás, acho que minha voz (a de fala) às vezes é pífia, desengonçada, sem graça. Cantando sou - e sôo, também - muito diferente, mais projetado, talvez mais ousado (adjetivo estranho a este contexto), mais seguro.
Será que é medo - talvez "receio" fosse melhor - de me impor esse outro lado, mais extrovertido e, possivelmente, mais seguro e feliz?
Ó dúvidas cruéis! (E que trecho mais parentético e travessônico!)
*******
Semana passada até me esqueci de contar: terça-feira chegou o carro.
Está muito bom! Até tirei fotos (só duas, só duas) com ele. Quando forem reveladas, coloco aqui!
Preciso colocar também fotos mais recentes do Astor, essa figurinha que mora aqui em casa. Ele está engraçadíssimo - às vezes um pouco chato - e nos últimos tempos tem aprendido a latir. Será um ótimo cão de guarda!
*******
Falando em cachorro, quase não consegui acreditar quando percebi que já faz quase um ano que o Apolo se foi. Quase um ano!
E como sinto sua falta! Claro que o Astor é ótima companhia, mas não há melhor terapeuta que um cão mais velho. A paciência e a serenidade para ouvir nossos problemas, sempre com um "sorriso" na boca, como tentando nos consolar, são únicas.
Lembro-me dos dias em que estava aflito e ia para perto do Apolo, sentava-me no chão ao lado dele e o colocava meio no colo - inteiro não dava! - falando e nele fazendo cafuné. Sempre atento às minhas lamúrias, bem como sendo um confidente a quem revelei inúmeros segredos, era uma delícia ficar aqueles minutos ali, ora chorando, ora sorrindo, sempre falando, contando com a cumplicidade de um dos melhores seres que já conheci na vida. Alguém - sim, alguém - que me faz uma falta tremenda.
Mas não me preocupo. Meu coração, embora entristecido, sabe que ele está num lugar muitíssimo melhor e que, cedo ou tarde (talvez mais cedo que tarde...) nós nos veremos novamente. E teremos longas conversas em dias eternos, sem preocupações.
Espera, Apolo. Um dia vou te encontrar.
*******
Uma das minhas máximas é "O tempo passou rápido demais. E me atropelou.". Nada mais verdadeiro.
Daqui a exatos dois meses, eis que me chega mais um aniversário. Claro que aniversários são ótimos, uma vez que reúnem parentes e amigos, trazem uma fartura de comida (Êba! Hahaha!) e também presentes (não podem faltar! Hehehe!). Porém, são como um divisor de águas, um marco.
Abre parêntesis. Eu, tal qual Mélisande, nasci num domingo, perto do meio-dia. A "hora mágica", como se dizia antigamente, ainda mais se essa hora fosse de um domingo. E neste ano meu aniversário cairá novamente num domingo. Interessante. Fecha parêntesis.
Por vezes não acredito que estarei completando 22 anos no próximo 23 de Maio. Não acredito. Não acredito. Não acredito. (Três vezes para reforçar, como numa ária de bravura.) O que houve com aquele tempo em que eu talvez-era-feliz-mas-não-sabia-e-poderia-ter-sido-realmente-feliz-se-algumas-coisas-fossem-diferentes? Onde está aquele garoto gordinho (o diminutivo é eufêmico...) e desajeitado, tímido e genioso, aplicado e meio perverso, de dez anos atrás? Morreu ele há cinco, quando se foram trinta quilos (poderiam ir mais uns cinco, mas está difícil!)? E aquele adolescente cheio de sonhos, mais criança que adolescente, que sempre se apaixonou e jamais se declarou a ninguém (é mentira, é mentira... Ok, é meia verdade.)? É agora um jovem, mais adolescente que jovem, que só agora entra nas crises de quem-eu-sou?-para-onde-vou?-parem-o-mundo-que-eu-quero-descer, mas que se sente um velho?
Vinte e dois anos! E parecerão cento e dez, como se o peso do mundo caísse sobre minhas costas, como se o coração pesasse tanto a ponto de arrebentar o peito e estatelar-se no chão, espatifando-se em seguida.
Ó futuro fatal (tenho usado tanto este adjetivo!...) e incerto, dá-me outras certezas além da morte!
Êta post exagerado, parentético, travessônico e fatalista!...
Não se preocupem, é só uma fase. Passa logo, loguinho. (Parece o nome do santo! Hehehe!)
Prometo que em breve faço outro post temático, e desta vez provavelmente será sobre o humor.
Que tal?
11:11:18 PM
Comments:
Quarta-feira, Março 17, 2004
A semana, ou Na falta de um título melhor...
Odi d'un uom che muore
Odi l'estremo suon
"Amore e morte"
Canção de Gaetano Donizetti (1797-1848)
Poema de Giovanni Redaelli (1785-1815)
I was more true to Love
Than Love to me.
"If my complaints could passions move"
Canção de John Dowland (1562-1626)
Poema anônimo
Como estão todos? Aqui as coisas continuam bem, embora algumas delas estejam indo de mal a pior...
A semana está sendo muito boa. Ontem foi a primeira aula de uma matéria de Literatura, ministrada (simultaneamente para a graduação e para a pós) por minha futura orientadora.
A aula, sobre literatura italiana moderna, está excelente e começou com um panorama da formação do romance italiano, desde o fim do século XVIII até o fim do XIX. Ela continuará falando na próxima aula até o pós-guerra, período enfocado pela matéria.
Deu, porém, para perceber algo: o nível da maioria do pessoal da pós não é maior que o da graduação; ao contrário, parece que há certa involução! Juro, ficaram mais de meia hora discutindo sobre onde seriam colocadas as matrizes para o xerox e etc.
Minha professora, já meio desesperada com aquela discussão sem fim, deu uma basta e resolveu ela mesma resolver alguns - não todos, claro, porque não são obrigação dela - dos problemas levantados pelos alunos.
Aquela situação foi, como diria uma amiga minha, para bater a cabeça na parede!...
*******
Ontem peguei na biblioteca a partitura da Il Campanello (1836), de Donizetti. É uma ópera bufa muito legal e, como pude perceber, bem difícil! O libretto é do próprio compositor.
Acho interessante como, nessa ópera, Donizetti dá ênfase para o buffo [1] (Don Alphonso Pitacchio) e para o barítono (Enrico). A maior parte da ação se passa entre eles, tendo até um engraçado duetto em que Enrico se veste de estrangeiro e fala palavras e expressões francesas na letra. Não ouvi como soa, mas só de ler esse trecho do libretto achei muito interessante!
*******
Hoje tive aula de Ópera Estúdio. Como sempre, foi excelente e engraçada!
Este semestre vou cantar Verdi, Carlos Gomes, Donizetti e Mozart. Poderia pedir mais? De forma alguma!
Nos próximos posts contarei como estão indo os estudos das árias e dos trechos para o recital do fim do semestre.
*******
Também hoje, pouco antes da aula de Ópera Estúdio, eis que me vem um dos alunos de Composição do IA perguntar se eu gostaria de cantar a música dele. Até aí, nada de mais. O problema foi quando ele mostrou a partitura da "composição"...
Eram alguns pentagramas entrelaçados, sem clave, dinâmica ou instrução alguma - típica das invencionices cretinas da música pós-1950. Disse o compositor que era necessária uma voz com extensão grande e que a peça tinha "caráter semi-grave". Para fugir dessa, sugeri que ele procurasse uma soprano - afinal as vozes femininas costumam ter maior extensão etc. Assim como entrou, o rapaz saiu - e eu fiquei aliviado por ele ter desistido de me escalar para sua composição.
Desde quando tenho cara de quem canta música contemporânea? Ah, por favor!...
*******
Pergunta da semana:
Por que a maioria das mulheres que jogam futebol tem jeito de homem? Ou pior: de macho?
*******
Quando digo que falo demais, há quem talvez não acredite - mas é verdade.
Dia desses eu a encontrei. Sim, ela. Conversamos normalmente, como sempre. Na hora da despedida, porém, veio aquela sensação de "algo está faltando" e eu sempre falando alguma coisa a mais, para que o assunto se estendesse - ou melhor, para que a despedida se prolongasse.
Percebi que estava falando demais e, embora ela não tenha sugerido ou mostrado nada, achei que eu estava incomodando. Pode ter sido só impressão minha, também. (Aliás, as coisas [a maioria delas, almen] que conto aqui são impressões minhas do mundo! Hahaha!)
O impasse continua, e até quando não sei. Só sei que, se as coisas continuarem assim, em breve escreverei meus posts direto do Juqueri!...
*******
Há pouco falei em Carlos Gomes.
Não posso deixar de dizer que domingo estive (rapidamente) em São Paulo e comprei ingressos para a Colombo, um oratório do compositor campineiro.
Confesso que não conheço nada da Colombo, mas minha professora disse que tem trechos muito bonitos. Estou ansioso para ver! Quem quiser (e puder) ir, não deveria perder a oportunidade.
Serviço:
Colombo (1893)
Oratório de Carlos Gomes
Theatro Municipal de São Paulo
(Pça Ramos de Azevedo, s/n - Centro)
Dias 26 (21h), 27 (21h) e 28 (17h) de Março
Ingressos: R$ 30,00, R$ 60,00 e R$ 100,00 [2]
Elenco: Sebastião Teixeira, Sávio Sperandio, Mônica Teixeira e Marcelo Vannucci
Informações: 222.8698 (bilheteria)
Vou no domingo. Se alguém for neste dia, me avise para a gente se ver lá!
*******
Há alguns posts coloquei (e comentei brevemente) duas poesias minhas.
É interessante, mas atualmente tenho estado meio inspirado para rimas. Vez por outra sai um versinho ali e outro lá, às vezes ruim, outras nem tanto.
Resultado: estou no meio de um poema biolíngüe - que provavelmente vou, mais tarde, musicar - e terça me vieram os dois primeiros versos de uma oitava camoniana. Parece que vai ficar bom. Pronto, coloco-o aqui.
Outra coisa que percebi é a arcaicidade de alguns textos meus, mesmo algo mais moderno. Tenho usado direto, por exemplo, o particípio presente, tão comum ao latim e ao grego.
É algo como:
ille dicens gratias nobis egit.
quase literalmente:
Ele falante nos agradeceu/nos deu graças.
ou, de modo corrente:
Ele falando nos agradeceu/nos deu graças.
ou ainda:
Ele ao falar nos agradeceu/nos deu graças.
Por falar em latim, revi meus textos e percebi que nunca escrevi nada nessa língua. Dia desses me veio a idéia e saiu isso:
Poema alla romana
o Iosephe,
cuius nomen bisaui tui erat!
fortunam tuam laetus accipe:
poetaque praeclarus
sed in amore miserus esse.
noli temere!
quod per amore qui patitur
Caelum certe habet.
Ficou bonitinho, mas poderia ser melhor...
*******
Segunda-feira comecei a ler A ópera romântica italiana, de Lauro Machado Coelho. Ainda estou na introdução, mas já dá para perceber que o livro é excelente!
O autor começa contextualizando o momento histórico (fim do século XVIII e início do XIX) de forma clara e sucinta, para depois, aos poucos, entrar na situação da ópera propriamente dita. Mais para frente, ele irá falar com detalhes sobre compositores conhecidos (Bellini, Donizetti e Verdi, por exemplo) e outros nem tanto (como Mercadante, Pacini e Vaccai [3]), mas que felizmente têm sido revividos nas grandes casas de ópera da Europa - tinha de ser lá, claro, porque àqui boa parte das óperas famosas nem chegou...
A cada dia percebo que essa é realmente minha época favorita: tenho profundo prazer ao ler sobre o século XIX (principalmente da primeira metade) ou ao folhear uma partitura de música do período. Tal sentimento é ótimo, uma vez que sei que esse é o caminho certo para meus futuros estudos - e obras.
Vou terminando aqui. Quero ver se domingo publico um post temático. Espero que dê certo!
___________________
[1] O buffo é um baixo cuja voz foi muito usada na ópera cômica da primeira metade do século XIX. Outro exemplo de uso de buffo é o personagem-título da Don Pasquale (1843), outra ópera cômica de Donizetti.
[2] Até o ano passado, o Municipal tinha cinco setores. A partir deste ano, a administração sabiamente mudou para três setores - inclusive indicando os lugares laterais que têm a visão (muito) prejudicada.
[3] No original oitocentista se escreve "Vaccaj". Niccolò Vaccai (1790-1848) foi um famoso compositor em sua época, sendo autor de algumas óperas. É dele também o conhecido método para canto, com melodias muito bonitas.
11:27:12 PM
Comments:
Sexta-feira, Março 12, 2004
Hoje eu ia escrever mais um post temático, mas não fiquei muito inspirado para tal... Sendo assim, aqui vai mais um
Fragmentos IX, ou Eu pensei que ia embora
Il supplizio è si spietato, è si spietato
Che a morir, a morir preferirò!
Violetta, no Ato II da La Traviata (1853)
Ópera em três atos
Música de Giuseppe Verdi
Libretto de Francesco Maria Piave
Confesso que ia começar de forma diferente, bastante soturna e fatalista - com leves toques de vingança. Porém, não estou mais com o ânimo assim, fazendo com que o post ficasse incoerente.
Aliás, eu ia postar ontem. Apesar de a semana ter sido excelente, houve altos e baixos, e os baixos estavam me atormentando. Resolvi mudar o tom de tudo, principalmente depois do que me aconteceu hoje.
Acordei cedo porque íamos sair. Ao me levantar, senti uma forte e crescente dor no peito. Parecia a dor de estômago que tive outras vezes, mas estava mais "alta" dessa vez. Exagerado como sempre, e sem saber que a dor tinha começado realmente na boca do estômago (ou no próprio esôfago), pensei em coisa pior: infarte.
Tudo bem que (cronologicamente) sou meio novo para isso, mas tem tanta gente morrendo do nada hoje em dia que um infarte não seria tão absurdo assim. E, além do mais, dizem que quando gente nova tem princípio de infarte, certamente morre.
Sabem que não fiquei desesperado? Não sei se inconscientemente eu já sabia que era coisa bem mais simples, mas pensei: "Se eu tiver de ir hoje, que seja.". Essas coisas a gente não escolhe, e deixei tudo nas mãos de Deus. Graças a Ele, era só o estômago mesmo.
Resultado: corremos para o hospital (que fica perto daqui) e lá tomei Plasil, fiz exames e, por fim, tomei soro. Agora já estou melhor, tendo passado quase a manhã toda lá.
Essa foi a peripécia do dia. Espero que não aconteça outra tão cedo! Hahaha!
*******
Outro motivo por que pensei no infarto foi o fato de o coração ter estado muito pesado ultimamente...
Claro que, de certa forma, colocarmos os sentimentos no coração é uma (bonita) metáfora, embora eu creia que esse órgão realmente esteja ligado ao que sentimos. Quantas vezes ele não nos dispara numa situação de medo ou palpita mais forte por quem amamos? (Bom, há pessoas que não têm coração, mas essas não contam. Infelizmente, pessoas assim - fruto principalmente dessa objetividade novecentista - existem aos montes.)
*******
Constatação da semana:
Algo me diz que vou sofrer por ela um pouco mais...
*******
Decisão irrevogável (até nova decisão...) da semana:
Vou passar meus últimos dias na Abadia de Aix-en-Gharty, lendo e escrevendo. Já que ninguém me quer mesmo, não seria má idéia passar minha velhice (cronológica, porque a mental já chegou) num lugar tão abençoado.
A Abadia de Aix-en-Gharty, segundo um esboço da década de 1980
Nele vemos a igreja (fim do s. XVI) os alojamentos (início do s. XVII), o campanário (fim do s. XVII) e o vinhedo
A abadia fica na montanha mais alta de Aix-en-Gharty, cidade construída no meio de um vale, e se liga a ela através de uma estrada sinuosa, mas em excelentes condições
*******
Segunda-feira o carro ficou na funilaria, depois de o seguro do rapaz que bateu (no dia 4 de Dezembro, lembram?) ter finalmente liberado o conserto. Desde então, estou com o carro reserva da própria funilaria, que é... um Uno. (Branco, com o emblema da empresa - ainda estou pagando para fazer propaganda... Depois tiro uma foto do carro reserva e coloco aqui no blog!)
Pode parecer que não, mas quando fui tirar o carro da vaga devem ter pensado que sou barbeiro! Tenho um pouco de receio em dirigir o carro dos outros, além do quê leva um tempo para se acostumar. O modelo é o mesmo (acho que esse com que estou é 2000), mas o acelerador está um pouco mais baixo e o freio, um pouco mais alto que no meu carro. Às vezes ainda dou umas escorregadelas na hora de sair.
É provável que nosso Uno fique pronto sábado ou, no limite, terça-feira que vem. Espero que tenha ficado bonito!
*******
Ontem começaram as aulas de Ópera Estúdio. Como sempre, foi excelente!
Ainda estamos montando o repertório deste semestre. Também não sei a data da apresentação, mas aviso tudo direitinho quando souber.
*******
Sábado fui a uma peça de teatro no Itatiba EC, As mentiras que os homens contam - adaptação de Marcelo Rubens Paiva para o livro homônimo de Luís Fernando Veríssimo.
Confesso que, quando fiquei sabendo da peça, nem estava muito animado a ir. Não por causa da peça em si - gostei do livro -, mas vocês sabem que dificilmente saio à noite, ainda mais sozinho.
Eis que, na quinta-feira anterior, uma vizinha minha que tinha comprado dois ingressos precisou viajar e perguntou se nós (minha mãe e eu) queríamos ir. Meu ingresso, ganhei (Êba! Hehehe!) e minha mãe pagou só o preço de sócio. Fomos com um casal de amigos.
A adaptação é muito interessante e os atores (entre eles o que fez o taxista Caetano, em "Mulheres apaixonadas"), muito bons. Há vários cacos, muita bobagem (principalmente ligada a sexo) etc. Mas sabem como é o humor brasileiro...
Eu particularmente acho engraçado. Cresci vendo Chico Anysio, "Escolinha do Prof. Raimundo" e toda aquela velha guarda do humor nacional. Atualmente o maior comediante brasileiro é, talvez, Tom Cavalcante. Ele é muito bom.
E engana-se quem diz que antigamente (leia-se "na Antigüidade") o humor era mais fino, sem sexualidade e etc. Claro que Aristófanes e Plauto foram dois dos maiores comediógrafos da História, mas suas comédias não eram nem um pouco pudicas e tinham até palavras de baixo calão lá no meio. Mas, como diz uma professora minha: bem usado, isso é genial; de outra forma, é medíocre.
Seja como for, eu recomendo As mentiras que os homens contam - tanto o livro quanto a peça. Com certeza garantirão boas risadas!
Por enquanto, é só. Em breve, novos posts temáticos!
9:27:40 PM
Comments:
Sexta-feira, Março 05, 2004
A semana, ou As lamúrias de um chato
È l'ultimo momento!
Commendatore, no Ato II da Don Giovanni (1787)
Ópera em dois atos
Música de Wolfgang Amadeus Mozart
Libretto de Lorenzo Da Ponte
Va... Va... Cammina, cammina!... Addio!!!
Verdi, no fim do bilhete encontrado no manuscrito de sua última ópera, Falstaff (1893)
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer pelos comentários ao post passado. Foi, sem dúvida, um dos que mais gostei de escrever!
*******
Enfim começaram as aulas!
A da quarta-feira não tive, só a de ontem - Fonética Experimental. Já comecei boiando na primeira parte da aula, principalmente por causa dos vários elementos da Física que a matéria envolve. Por sorte, o professor é bem claro e, se ao menos não sei como fazer certos cálculos, entendi o porquê deles.
Passei o fim da tarde estudando latim com uma amiga - traduzimos o trecho da Eneida que fala sobre o Cavalo de Tróia - e, como não deu tempo de terminar uma lista posterior, vou fazê-la no fim de semana.
*******
Já a sexta-feira foi tranqüilíssima. Este semestre não terei aulas às sextas, sendo-me possível acordar um pouco mais tarde.
Depois do almoço, tive a primeira aula de canto do ano. Apesar de eu ter estudado praticamente todo dia, me senti meio enferrujado. Sem contar que tenho estranhado cada vez mais a minha voz - que, segundo meu professor, está mais encorpada. Sinto que meus graves estão horríveis - leia-se "quase inexistentes" - e meus agudos estão abertos demais. Ou seja, tenho sentido a voz péssima, embora talvez não esteja tanto assim.
É duro ser auto-crítico demais!...
*******
Cheguei à conclusão, também, de que falo demais. Não que eu não soubesse disso - dizem que é mal de geminiano, mas não sei -, mas ultimamente tenho querido (!) não falar tanto, embora não consiga. Nem sozinho fico quieto! Tenho interlocutores/as invisíveis, e sempre os tive.
Se eu falasse menos, minha voz de canto provavelmente seria melhor...
*******
Já me disseram para eu me esquecer d'ela e partir para outra.
Aí eu me pergunto: "Outra quem???". As garotas interessantes que conheço ou estão compromissadas ou moram fora da cidade. Em outras palavras: forget it.
"Pois então vá à caça.", sugeririam alguns. Eu? Ah, não. Já estou velho demais para isso. Fora de forma também. Não dá mais.
È tardi!...
*******
Tenho andado meio desanimado ultimamente. Desde sábado passado, na verdade. O motivo? Vários.
(Aliás, no sábado aconteceu uma coisa engraçada: voltei da cidade às 10:30h e resolvi tomar um pouco de Sol. Como ia ficar só meia hora, nem coloquei protetor, porque o Sol não parecia estar muito forte. O resto do dia foi normal, mas à noite, quando fui tomar banho, vi que estava meio [1] vermelho! Se meu corpo já é horrível branquelo, imagine vermelho! Hahaha! Felizmente já passou, e agora ficou um bronzeado melhorzinho.) É interessante como certas coisas acontecem: também um pouco por causa desse desânimo, resolvi nem ir à academia hoje à noite. Por falta do que fazer, perto das 21h liguei a televisão e passei para a assinatura, a fim de ver se tinha algum bom programa. Eis que me deparo com um documentário (que infelizmente estava terminando) sobre Callas, no GNT.
Os momentos finais falavam dos últimos anos de La Divina. Quando Aristóteles Onassis morreu, em 1975, a vida de Callas também acabou. Por pior que aquele inclassificável lhe tivesse sido, foi o grande amor da vida dela, só menor que seu amor pela ópera.
Fiquei extremamente emocionado com as imagens de sua fatídica tournée de 1974 e com as de seu funeral, em 1977. Tentei até disfarçar aqui, mas acho que até minha mãe percebeu - espero que ela só tenha pensado que estou com gripe. As lágrimas rolavam soltas, quentes. Estou me emocionando de novo só ao escrever isso.
É estranhíssimo tal sentimento por alguém que sequer conhecemos pessoalmente, só por gravações, vídeos e fotos. Sou completamente apaixonado por Maria Callas, não só como cantora, mas como artista e mulher. Nas horas difíceis, quando estou prestes a desistir de tudo, parece que ouço sua voz me dizendo "Coraggio!", e sinto-me novamente forte. Não é à toa que a chamavam La Divina.
Pronto, já me emocionei de novo. Não consigo mais escrever sobre ela. Me desculpem, por favor.
Maria Callas, na Norma de 1964
*******
Constatação da semana: se eu fosse tão ousado na vida (principalmente amorosa) quanto o sou ao dirigir, eu seria ainda mais feliz.
*******
Momento MasterCard
Refil de lâmina Mach 3, cartucho com 2: R$ 7,50
Tirar a barba de cinco dias e meia costeleta: aprox. 30min
Olhar-se no espelho e sentir-se bem, ainda que brevemente: não tem preço
*******
Ontem (foi ontem?) aconteceu um pequeno "acidente": estava comendo uma pêra (praticamente verde, pois gosto delas mais assim que maduras) e eis que me corto a gengiva, ficando a sangrar por alguns instantes. Isso foi de manhã, e passei o dia todo com aquilo me incomodando um pouco, sem contar uma afta chata no lado esquerdo. Em outras palavras, não posso fazer movimentos bruscos com a boca, senão já me incomodo. Resultado: algum tempo sem beijar (Pfffff, como se já não fizesse muito tempo que... Ah, deixa p'ra lá.).
*******
Minha memória instantânea tem estado péssima!
Sabe aquelas vezes em que a gente sai de um lugar para outro (um cômodo da casa, por exemplo) e quando chega lá pensa ou diz para si mesmo/a "O que é que eu vim fazer aqui?"? Ou a famosa pergunta "Do que é que eu estava falando?"? Pois é, esse tipo de pergunta tem me assolado nos últimos dias. Enquanto isso, minha memória amalgamar, incrustada para sempre, aquela que tem principalmente todas as bobagens que já fiz na vida, está lá, intacta.
O crudeltà!
*******
Estes tempos tenho voltado a escrever poesia. Dá para saber o caráter delas, não? Qualquer hora coloco uma das mais recentes aqui.
Para quem nunca leu nenhuma poesia minha, não perdeu nada, digo, vou colocar uma aqui, já antiguinha - acho que é de 2000. Provavelmente sim, porque no fim daquele ano eu estava péssimo, muito pior que agora.
Suicídio
Era um homem feliz
Que vivia muito bem.
Tinha a alegria como força motriz
Além de ter amigos como ninguém.
Morava num château próximo a Paris
Em que vivia a família também.
Gostava muito de música,
Principalmente da clássica.
Mas um dia começou a perceber
Que seus amigos se distanciavam.
Ninguém mais vinha para ver
Aquele de quem tanto gostavam.
Mesmo a família deixou de ser
Aquela de que tanto falavam.
Os familiares foram embora:
Disseram que voltariam a qualquer hora.
O château ficou vazio
E também muito triste;
Tudo ficou negro e sombrio
Mas ele tinha a alma de quem muito resiste.
E uma decisão no meio do frio
Ele teve como quem desiste.
Disse: "Vou me suicidar!
Essa vida não posso mais agüentar!"
Escreveu uma carta aos seus
E quis fazer tudo no château tranqüilo.
Não adiantaria nem que todos os filisteus
Se juntassem para impedi-lo.
Colocou um disco de ópera dos seus
E pegou um punhal com cabo em forma de esquilo
Enquanto uma soprano a Norma no disco cantava
No coração o punhal ele cravava.
E desse triste modo terminou
A vida de um homem que no Céu descansou
Lendo-a depois de tantos anos, só posso rir. As estrofes alla Camões n'Os lusíadas, deveriam ter versos no mínimo decassílabos - ou, talvez, em versos alexandrinos (dodecassílabos). Sem contar que "um punhal com cabo em forma de esquilo" é simplesmente ridículo, fruto de alguém que ou não estava inspirado ou não tinha à mão um dicionário de rimas - ou ambas as hipóteses... Um último detalhe: lembro que o sétimo verso da quarta estrofe originalmente era "Enquanto Callas a Norma no disco cantava".
Agora mais calmo, dá para falar em Callas: escrevi em 2002, quando se completaram vinte e cinco anos de sua morte, um poema em sua homenagem. É um dos poucos de que gosto. Transcrevo-o aqui.
Maria Callas, primadonna assoluta (2002) [2]
Musa das musas e diva das divas
Não à toa te chamam La Divina.
Há vinte e cinco anos tu nos deixavas
Mas até hoje t'a voz nos fascina.
Foste n'ópera grandes personagens
Tua bela arte resiste muitos anos
Levaste mais ópera em s'as viagens
Agradaste a gregos e a troianos.
A Norma, de que tu mais gostavas,
Foi tua triunfante e maior vitória
Era quem tu mais interpretavas
Tuas récitas foram pr'a História.
Mas em Setembro de Setenta e Sete
Rumaste ao Céu. Por Deus foste chamada.
Tornaste-te uma soprano celeste,
Tendo o Egeu por t'a última morada.
Musa das musas e diva das divas
Não à toa te chamam primadonna.
Há vinte e cinco anos tu nos deixavas
Mas tua voz nunca nos abandona!
Quando eu tiver terminado a poesia em que estou trabalhando, coloco aqui!
*******
Falando em literatura, outro dia achei na FNAC um pequeno livro de Balzac chamado Uma paixão no deserto. Como estava barato, resolvi comprar.
O livro é composto de três contos, mas só li os dois primeiros "Uma paixão no deserto" e "O carrasco". São muito bons! Gostei tanto que baixei os originais na internet e qualquer hora vou ler.
"Uma paixão no deserto" traz a história de um soldado francês que, durante a campanha de Napoleão no Egito [3], se perde no deserto, onde conhece uma pantera. Já "O carrasco", por sua vez, trata do filho de um marquês espanhol que, depois de uma fracassada insurreição contra a dominação napoleônica, é obrigado a executar toda a família com uma cimitarra. Trocando em miúdos, ambos falam sobre a morte e suas implicações.
Balzac - "o único que tinha o direito de escrever mal", como diria Flaubert - é um maravilhoso escritor. Bastante prolífico (escreveu quase cem romances e vários outros gêneros literários em cinqüenta anos de vida), foi famoso por introduzir o Realismo ao Romantismo então vigente (e forte, na primeira década do século XIX). E é nesse Romantismo-Realismo que me encaixo, não só literariamente, mas também musicalmente etc.
*******
Ainda continuando com a literatura, ontem comecei a reler Do grotesco e do sublime, de Victor Hugo. Originalmente prefácio do drama Cromwell (1827), Do grotesco e do sublime é um verdadeiro manual do Romantismo [4], obra que todo romântico deve ler.
Boníssimo poeta, ótimo prosador e excelente dramaturgo, Victor Hugo foi um dos mais importantes escritores da primeira metade do século XIX. Seu "despretencioso" prefácio é exemplar, tanto por conter as bases de um novo período como por analisar os antigos, não sem retirar seus méritos inegáveis - Hugo fala muito bem de Corneille e Racine, dois grandes dramaturgos do Classicismo francês.
Quero ver se este fim de semana termino o prefácio - que de tão importante foi separado do drama, sendo transformado em livro. Conto mais sobre ele no próximo post.
Bom, por enquanto é isso. Prometo escrever mais posts temáticos e, sobretudo, alegres!
___________________
[1] É literalmente "meio" adjetivo, e não advérbio! Hahaha!
[2] In Antologia: Encontros VI, Itatiba: Berto Editora, 2002.
[3] O conto se passa na época pouco anterior a Balzac (que nasceu em 1799 e faleceu em 1850). Além disso, assim como muitos de seus contemporâneos, Balzac era - principalmente no início da carreira - simpático a Napoleão.
[4] Por favor, escrevam sempre períodos/movimentos (literários, musicais, arquitetônicos etc.) com letra maiúscula. O "romantismo" assim grafado é uma coisa piegas e menor, criada pelo século XX como cópia barata dos sentimentos próprios do Grand Siècle (é como os lanesanos chamam o século XIX).
9:47:48 PM
Comments:
|
|
| |
|
|
|