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José Luiz
23/05/1982
Gêmeos
Santista de nascimento
Itatibense de criação
Ler, escrever, ouvir música, cantar, jogar tênis
Literatura, música clássica, cães, nobreza, heráldica, automóveis, jogos de computador, etiqueta
Barítono
Romântico-realista
Eterno apaixonado
Honoré de Balzac, Victor Hugo, Alessandro Manzoni, Italo Calvino, Edgar Allan Poe, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Martins Pena, Gonçalves Dias...
Giuseppe Verdi, Gioacchino Rossini, Vincenzo Bellini, Gaetano Donizetti, Giacomo Puccini, Wolfgang Amadeus Mozart, Luigi Cherubini, Gaspare Spontini, Antonio Carlos Gomes...
Maria Callas, Montserrat Caballé, Joan Sutherland, Renata Tebaldi, Tito Gobbi, Rolando Panerai, Alfredo Kraus, Franco Corelli, Mario del Monaco, Giuseppe di Stefano, Édith Piaf, Mireille Mathieu, Elis Regina...
Estudante de Letras (formado) e de Lingüística (complementação)
Português, inglês, francês, italiano, latim clássico, russo, espanhol e grego clássico
Lendo trocentos livros ao mesmo tempo

Páginas interessantes:

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LucasArts
Maria Callas
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Velha Jovenzinha
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(Se eu me esqueci de algum blog, por favor me desculpe!
É só avisar que eu coloco o endereço aqui.)


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Lanesville
Sexta-feira, Janeiro 14, 2005

O primeiro post do ano, ou Até que enfim estamos em 2005!

Ah, fu un lampo, un sogno, un gioco,
Il mio lungo palpitar.

Angelina, no Ato II da La Cenerentola (1817)
Ópera ("dramma giocoso") em dois atos
Música de Gioacchino Rossini
Libretto de Jacopo Ferretti

Profitons bien de la jeunesse,
Des jours qu'amène le printemps;
Aimons, chantons, rions sans cesse,
Nous n'avons encor que vingt ans!

Manon, no Ato II da Manon (1884)
Ópera ("opéra-comique") em cinco atos
Música de Jules Massenet
Libretto de Henri Meilhac e Philippe Gille

Olá a todos!
Depois de tanto tempo - quase um mês! - volto a escrever.
Confesso que para este post não estou lá muito inspirado, nem mesmo muito animado. Acho que o prolongado ano de 2004 me tirou todo o ânimo para um bom começo de 2005. Tanto é que já comecei o ano com uma forte dor de garganta (não é bem a garganta, mas a parte "de trás"), causada por café, seguida de uma gripe, causada sei lá por quê.
O importante é que 2004 acabou!!!

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O que foi aquele tsunami?
Lembro de ter acompanhado mais ou menos a tragédia via internet. E a cada hora o número de mortos aumentava consideravelmente. Já nem sei quantos são agora. Mas que foi uma tristeza, foi.
Há quem venha com aquelas histórias de "castigo de Deus", mas eu duvido muito. Ele certamente jamais faria uma coisa dessa. Isso é mais obra da Natureza, que por vezes se porta como uma bela mulher caprichosa - incontrolável e inexplicável. O Destino também influi nesse caso, uma vez que é impossível escapar a ele - embora haja meios de às vezes desviarmos um pouco de sua rota.
É, amigos, a vida é uma grandiosa ópera em todos cantamos a música e a letra escritas pelo Destino. A letra não pode ser mudada, embora haja variações, e só podemos fazer uma cadenza ou outra de vez em quando; o regente é Deus, e um dia havemos todos de cantar nossa última cabaletta...
Gosto bastante dessa analogia ópera <=> vida, mas não fui eu que a inventei. Ela vem - pelo menos a primeira vez que li foi lá - de Dom Casmurro, de Machado de Assis. Quem fala dessa analogia no romance é um tenor, e nomeia os papéis (compositor, librettista, regente etc.) de forma diferente. Interessantíssima, por sinal. Vale a pena ler!

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O fim do ano transcorreu como de costume. Alguns parentes vieram, houve muita comilança (bebelança, não :-D) etc. Foi bom, mas praticamente igual a todos os anos... Antes assim.
P'ra variar, engordei um pouquinho e agora esses quilos estão demoraaaando a querer ir embora... A academia já voltou a funcionar (falando nisso, ontem comecei uma série nova), mas o ânimo para voltar o velho ritmo ainda não veio.
Tampouco veio o mesmo ânimo para os estudos de canto. Também por causa da gripe, minha voz não anda lá essas coisas. Às vezes é desesperador, porque quando vou faer uns poucos vocalises, a voz já não sai como deveria - ou não a ouço como deveria, almen... É o que chamo de decadência antes do auge!...
Ai, que cansaço!...

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Apesar dele, parece - eu disse parece - que meu ritmo de leitura vai voltando aos poucos.
Livros novos não faltam aqui em casa. Acreditam que no fim do ano passado, em menos de um mês, me deu a louca e comprei uns trinta livros? É sério! Agora não tempo nem tempo para ler todos nem lugar para guardá-los! Hahaha!
Logo no começo do começo do ano foram duas belas novelas de Lev Tolstói, A morte de Ivan Ilitch e Senhores e servos. Eu ainda não tinha lido esse autor, e gostei bastante. Recomendo fortemente.
Há poucos dias li, em pouco mais de duas horas, A metamorfose, de Franz Kafka. À primeira lida o livro parece ser meio banal, mas depois de pensar um pouco mais em tudo o que aconteceu, percebe-se que é tudo bem mais profundo e interessante. Outro livro que recomendo.
Há poucos minutos encontrei Os noivos [1], de Alessandro Manzoni. Quero ver se nestas férias ainda o leio.

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Infelizmente o que eu temia vai acontecer: terei mesmo de tirar o dente do siso.
Preciso começar a me preparar psicologicamente para isso, algo que não estava querendo de jeito nenhum. Mas há coisas que não podemos evitar, e essa cirurgia vai ser uma delas.
Espero que tudo corra bem!...

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Falando em "psicologicamente", acho que não ando muito bem quanto a esse aspecto - não que algum dia eu tenha sido "normal", mas... (Hahaha!)
Outro dia, mais precisamente na madrugada de 11 de Janeiro, tive um sonho bem estranho. Não foi ruim, mas estranho: lembro que andava de carro (eu dirigindo) por uma longa rua. Depois de descer e conversar com não sei quem, eu voltava pela rua paralela a ela - sei que era paralela porque havia um tipo de mapa do alto, como em jogos de corrida - até chegar a um lugar com semáforos. Era como uma encruzilhada quíntupla:


O lugar do sonho era mais ou menos assim

Parece que chovia, e uma mulher de cabelos longos e castanhos atravessava, munida de um guarda-chuva, por todos os semáforos (da direita para a esquerda, no esquema). Até que no último deles ela não atravessou, e comecei a ouvir uma voz em off - era a voz dela, e dizia algo como: "Na vida sempre nos deparamos com semáforos, que abrem e fecham aleatoriamente; alguns deles, porém, não se abrirão mais, enquanto outros, pelo menos por algum tempo, estarão sempre abertos. Cabe a nós observar quais são e quando isso acontece.". Aí acordei.
Tenho quase certeza de que a voz que ouvi é bem conhecida, embora estivesse um pouco diferente do habitual porque falava em português - quando falamos outra língua, nossa voz se altera um pouco. Sabem de quem estou falando, não? Pois é, dela mesmo... Maria Callas!
Depois desse sonho cheio de mensagens, aproveitei que fui à Unicamp na terça-feira e peguei o livro A interpretação dos sonhos, de Sigmund Freud. Vou tentar descobrir se Herr Doktor me ajuda a decifrar esse sonho aparentemente nonsense!...

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Falando em coisas nonsense, alguém aí está assistindo à nova minissérie da Globo, "Hoje é Dia de Maria"? Eu estou. É uma bonita produção - o cenário pseudo-externo é belíssimo -, com grande elenco e ricas histórias de folclore.
Só não sei se a colagem de histórias ficou mal-feita ou o quê, mas às vezes a situação é bem insólita, quase surreal. Não deixa de ser interessante, claro, embora a quem não esteja acostumado possa causar estranhamento.
Agora, vamos combinar: o sotaque que inventaram - sim, porque aquilo é inventado - para a menina é horrível e irritante!

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Ainda falando sobre televisão: este ano começou com uma grande novidade. O canal Multishow está reprisando, às quartas e sextas, às 12h e 17h, o hilário programa "TV Pirata". Serão quarenta episódios, e quem puder não pode perder.
O elenco é excelente. O texto, assinado por desde Luís Fernando Veríssimo até os Cassetas, é muito bem bolado e engraçadíssimo. Morro de rir toda vez!
Barboooosa!... :-D

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Voltando um pouco a Callas, outro dia finalmente vi "Callas Forever" (2002), de Franco Zeffirelli.
Houve quem não gostou, mas acho que foi uma boa homenagem a La Divina. Ardant está impressionante no papel - há momentos em que a gente jura que ela é Callas - e Jeremy Irons surpreende. Não por causa dele, que é um grande ator (outro dia eu o vi no "Inside Actors Studio" numa excelente entrevista), mas pelo papel, que de mero coadjuvante passa a ser co-protagonista.
Tudo bem que há algumas coisas meio supérfluas - como o affair do empresário com o pintor, por exemplo - e reconstituições de época por vezes imprecisas - há carros modernos na Paris que era para ser de 1977 -, mas tudo isso não tira a qualidade do filme. Há vários trechos, às vezes árias inteiras, cantados pela homenageada, inclusive uma "Casta Diva" que, colocada inteligentemente no fim do filme, serve como hino e eleva ainda mais a alta figura de Callas. Não preciso dizer que me emocionei imensamente.
Não é um filme só para quem gosta de ópera ou de Callas, mas fala um pouco sobre decadência e estados depressivos - em outras palavras, coisas que podem afetar qualquer ser humano. Fiquei bastante satisfeito com ele, e acho que vocês também vão gostar.

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Por falar em filme, pouco antes do fim do ano assisti outra vez a "Anastasia", uma das melhores animações da Disney (ao lado de "O Rei Leão").
A história é baseada em fatos reais - e numa lenda real também. Por muitos anos cogitou-se a hipótese de Anastasia Nikolaiévna Romanova [2], filha mais nova do Czar Nikolai II Romanov, tivesse sobrevivido à execução dos Romanov na época da Revolução Russa. Toda a família foi disposta como se fossem tirar uma fotografia e, nessa posição, foi fuzilada. Um absurdo.
O filme coloca na lenda a figura de Rasputin, o monge místico que muito influenciou a Czarina Alexandra - e esta, por sua vez, influenciava o marido. No filme, o monge teria colocado uma maldição sobre a família, e por isso a revolução sobreveio e os tirou do poder, exterminando-os depois. Faltava, porém, que a última Romanov fosse exterminada: Anastasia.
Acho que a inserção de Rasputin na história é completamente coerente, embora anacrônica. O monge morreu em 1916, um ano antes da revolução. Já a lenda de Anastasia - cujo corpo, se não me engano, nunca foi encontrado - também é muito bem utilizada, e o resultado é excelente. A animação é belíssima (gosto em especial daquele trecho em que, no Palácio Imperial abandonado, o passado como que ressurge, nos vultos de casais valsantes vindos dos grandes vitrais) e imperdível.

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Tenho lido na internet que mal o S'erra entrou e já está tomando ações e resoluções desagradáveis. Procede? Espero que não.
Enquanto isso, no Jornal de Itatiba de ontem era anunciado que a Rodovia D. Pedro será privatizada, bem como a Carvalho Pinto e a Trabalhadores (Ayrton Senna). Não se poderia esperar coisa muito diferente de alguém do partido do governador, uma vez que adoram vender o patrimônio do Estado afirmando que a "administração está obsoleta e não funciona bem". Ora se isso ocorre, que seja modernizada, e não vendida!
Esse neoliberalismo é realmente enojante...

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Falando em Sua Excelência o Prefeito, espero que continue o ótimo trabalho que vinha sendo feito no Theatro Municipal, ou seja, com várias temporadas operísticas durante o ano. (Embora pudessem ter sido mais e mais duradouras...)
Ah, sim: fui à João e Maria, em 19 de Dezembro. Estava maravilhosa! A produção belíssima, os solistas excelentes e a orquestra idem - Jamil Maluf é um ótimo regente de ópera. Só fiquei sentido porque eu, esta anta que vos escreve, tirei várias fotos que não saíram, uma vez que o idiota aqui tinha esquecido de colocar pilhas na máquina, mas tentou tirá-las mesmo assim. Perguntem se saiu alguma?...

É nesse clima de auto-confirmação de burrice que termino este post nada inspirado. Peço desculpas a todos, mas ainda não baixou o "espírito de 2005" - ano para o qual não vou fazer nenhum projeto. Cansei.
Para terminar, quero pedir a vocês que também leiam o post abaixo. Não o publiquei antes porque quis procurar uma boa tirinha antes disso, e só agora consegui encontrar.
Até a próxima, e espero que seja em breve!

___________________
[1] Odeio o nome em português; acho que o original, I promessi sposi, tem muito mais força.
[2] Em russo, todas as pessoas têm um patronímico, ou seja, um nome do meio que indica qual o nome do pai. Sendo Anastasia filha de Nikolai, seu nome era Anastasia Nikolaiévna; o sobrenome, em russo, também concorda com o gênero - por isso é "Romanova" e não "Romanov". Uma filha de Fiódor (Mikhailovitch) Dostoiévski seria, por exemplo, Maria Fiodorovna Dostoiévskaia.

9:27:15 PM Comments:


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