Diário de um lanesano


























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José Luiz
23/05/1982
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Literatura, música clássica, cães, nobreza, heráldica, automóveis, jogos de computador, etiqueta
Barítono
Romântico-realista
Eterno apaixonado
Honoré de Balzac, Victor Hugo, Alessandro Manzoni, Italo Calvino, Edgar Allan Poe, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Martins Pena, Gonçalves Dias...
Giuseppe Verdi, Gioacchino Rossini, Vincenzo Bellini, Gaetano Donizetti, Giacomo Puccini, Wolfgang Amadeus Mozart, Luigi Cherubini, Gaspare Spontini, Antonio Carlos Gomes...
Maria Callas, Montserrat Caballé, Joan Sutherland, Renata Tebaldi, Tito Gobbi, Rolando Panerai, Alfredo Kraus, Franco Corelli, Mario del Monaco, Giuseppe di Stefano, Édith Piaf, Mireille Mathieu, Elis Regina...
Estudante de Letras (formado) e de Lingüística (complementação)
Português, inglês, francês, italiano, latim clássico, russo, espanhol e grego clássico
Lendo trocentos livros ao mesmo tempo

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(Se eu me esqueci de algum blog, por favor me desculpe!
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Lanesville
Domingo, Junho 19, 2005

Um post de Junho, ou Até que enfim!

Persisti e vincerai!
Amor produce amor.

Alvaro, no Ato I da Alzira (1845)
Ópera ("tragedia lirica") em um prólogo e dois atos
Música de Giuseppe Verdi
Libretto de Salvatore Cammarano

Depois de tanto tempo, eis que retorno. Vamos ao post!

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Quarta-feira passada (dia 15) foi o aniversário de dois de meus melhores amigos: um humano, o Rodrigo, que completou a mesma idade que eu, e outro canino, o Astor, que fez dois anos.
Parabéns e muitas felicidades a ambos!!!

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Nos últimos dez dias o mundo da ópera perdeu duas grandes personalidades. Dia 11 foi a soprano búlgara Ghena Dimitrova, aos 64 anos; na quarta-feira, faleceu o maestro italiano Carlo Maria Giulini, aos 91 anos.
Dimitrova participou de grandes récitas e gravações, sendo famosa principalmente por papéis como Abigaille (Nabucco, de Verdi) e Turandot (Turandot, de Puccini). Tinha um timbre dramático, uma voz belíssima e imensa, além de ser - como dizem - muito simpática. (Minha gravação da Oberto, Conte di San Bonifacio é com ela. Adoro!)
Giulini era o último de uma grande geração de maestros, geração essa que talvez demore a termos uma parecida. Especialista em ópera, também regeu várias peças instrumentais. Sempre foi extremamente profissional e humilde, e nos deixou inúmeros registros grandiosos.


Ghena Dimitrova e Carlo Maria Giulini

São perdas irreparáveis. Eles agora fazem parte do grande teatro do Céu...

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Falando em ópera, desde ontem resolvi entrar num tour de force verdiano. Em outras palavras, decidi ouvir todas as óperas de Verdi em ordem cronológica. Vai ser uma agradável tarefa!
Até o momento já ouvi duas óperas:

Oberto, Conte di San Bonifacio (1839)
Ópera ("dramma") em dois atos
Música de Giuseppe Verdi
Libretto de Temistocle Solera

Ghena Dimitrova - Leonora
Carlo Bergonzi - Riccardo
Rolando Panerai - Oberto
Ru¿a Baldani - Cuniza
Alison Browner - Imelda

Chor des Bayesrischen Rundfunks
Münchner Rundkunkorchester
Lamberto Gardelli

(estúdio - Munique, Março de 1983)

Un Giorno di Regno, ossia Il Finto Stanislao (1840)
Ópera ("melodramma giocoso") em dois atos
Música de Giuseppe Verdi
Libretto de Felice Romani (e Temistocle Solera?)

Renato Capecchi - Il Cavalier di Belfiore
Sesto Bruscantini - Il Barone di Kelbar
Lina Pagliughi - La Marchesa del Poggio
Laura Cozzi - Giulietta di Kelbar
Juan Oncina - Edoardo di Sanval
Cristiano Dalamangas - Il Signor La Rocca
Mario Carlin - Il Conte Ivrea
Ottavio Plenizio - Delmonte

Orchestra e Coro della RAI di Milano
Alfredo Simonetto

(ao vivo - Milão, 1951)

A próxima será:

Nabucco (1842)
Ópera ("dramma lirico") em quatro atos
Música de Giuseppe Verdi
Libretto de Temistocle Solera

Piero Cappuccilli - Nabucco
Ghena Dimitrova - Abigaille
Plácido Domingo - Ismaele
Evgeny Nesterenko - Zaccaria
Lucia Valentini-Terrani - Fenena
Kurt Rydl - Gran Sacerdote
Volker Horn - Abdallo
Lucia Popp - Lucia Popp

Chor und Orchester der Deutschen Oper Berlin
Giuseppe Sinopoli

(estúdio - Berlin, 1982)

A gravação da Oberto, Conte di San Bonifacio eu já conhecia - sei alguns trechos até de cor -, mas da Un Giorno di Regno só conhecia partes. É uma ópera bem boa! Pena que tenha sido um fracasso na época (todas as récitas depois da primeira foram canceladas), mais pelos intérpretes que pela música de Verdi.
Será uma tarefa de vários dias, e com o tempo vou contando as óperas e as gravações que ouvi!

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Ainda sobre esse assunto: uma professora da faculdade me pediu para dar uma breve aula sobre ópera romântica. (Lembram que fiz isso em 2003? Há posts contando.) Será na quarta-feira agora, dia 22.
Desta vez será apenas sobre a ópera romântica do Primo Ottocento. Infelizmente só tenho duas horas para a aula, então precisei reduzir ao máximo o número de trechos musicais. O CD está preparado, e até terça-feira tenho de ler mais alguns textos sobre o assunto e acabar uma apresentação em Power Point.
Espero que os alunos gostem!

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Para variar, este fim de semana foi um zero à esquerda em relação à faculdade: não li ou fiz praticamente nada. Depois, quando digo que não tenho mais jeito, ninguém acredita!...
Fui a uma reunião da Associação de Escritores ontem. Foi, como sempre, muito boa, e já meio que contei sobre o recital que estou pensando em montar em Julho. Ainda não está confirmado - preciso levar um ofício para a presidente da Associação, conversar com a Secretaria de Educação etc. -, e quando estiver eu aviso aqui no blog, com pelo menos uma semana de antecedência!

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Dia 1º de Junho saiu uma notícia de um casal inglês muito simpático que completou oitenta anos de casados.
Não, vocês não leram errado: são oitenta anos de casados. Percy (105) e Florence (100) Arrowsmith, que se casaram no dia 1º de Junho de 1925, disseram que o segredo para um casamento duradouro é "não esticar uma discussão, beijar-se com freqüência e dar as mãos para ir para a cama". Ao que tudo indica, o amor mútuo é o mesmo desde o primeiro dia!


(Foto: Stephen Pond/EPA)

Segundo o Guinness, este é o casamento mais duradouro do mundo. Porém, acho que se esquecem de SS MM o Oni-Duque Eufrásio Sanfins (108) e a Rainha-Avó Sophia XXV (105), que se casaram em 1920, em Lanesville, e assim continuam até hoje. E parece que não se separarão tão cedo.
Seja como for, desejo muitas felicidades a Percy e Florence!

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Falando em amor em sentimentos, no último domingo li uma antologia [1] de sonetos muito boa. Escolhi três deles de que mais gostei para colocar aqui:

Amor é um fogo que arde sem se ver [2]
Luiz de Camões (1524-1580)

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.

Mas como causar pode o seu favor
Nos mortais corações conformidade,
Sendo a si tão contrário o mesmo amor?

Soneto
Álvares de Azevedo (1831-1852)

Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a visão se erguia
Apenas entre nós - e eu vivia
No doce alento dessa virgem bela...

Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
Música mais do céu, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!

Como era doce aquele seio arfando!
Nos lábios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!

Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
É sentir todo o seio palpitando...
Cheio de amores. E dormir solteiro!...

Mal secreto
Raimundo Correia (1859-1911)

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma e destrói cada ilusão que nasce;
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse.

Se se pudesse espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente talvez que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

Aproveitei e escrevi eu-próprio um poema, coisa que há muito não fazia:

Último poema (12.06.2005)
José Luiz Águedo-Silva (1982- )

Este é o último poema que te escrevo
Dos muitos que pensei em te escrever.
Pois eu nunca cheguei a me atrever
A pôr meus sentimentos em relevo.

Se todos os conflitos que descrevo
Não bastam p'ra poder te comover,
Só peço para o cor me devolver
E nada mais p'ra ti pedir eu devo.

Não sabes - nem falei - o que sentia
Meu cor amargurado pelo amor;
Sentia e ainda sente... Agora esfria.

Pois pouco a pouco acaba o seu furor,
Extinto pelo gelo que o cobria.
Agora apenas resta a minha dor...

Pessoalmente, não gostei muito do resultado. Formalmente está bom (esquema rímico ABBA ABBA CDC DCD, decassílabos com tônicas na segunda, sexta e décima sílabas etc.), mas o conteúdo está mais ou menos - poderia ser melhor. Talvez eu o coloque na antologia da Associação de Escritores deste ano, mas com certeza haverá (muitas) mudanças até lá.

*******

Hoje faz exatamente três anos que comecei a freqüentar a academia.
Não é nenhum motivo de vitória. Se por um lado tenho me sentido melhor (mais resistente, mais disposto etc.), por outro bem que o lado estético também poderia ter sido desenvolvido um pouquinho!...Eu não percebo muitas diferenças de quando entrei e de agora. (Vai ver é porque sou muito auto-crítico.) Também, acho que sou prequiçoso demais para contribuir com isso...
Não adianta: nunca vou ficar como quero. Pois já diz aquele ditado: "Quem nasceu para tostão não chega a vintém."...

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Ainda sobre esse assunto, mais e mais me vem aquela sensação de que nada, eu disse nada, na minha vida vai mudar. Tudo será eternamente como está, e jamais hei de realizar meus sonhos - que começam a se tornar meras ilusões.
Nem preciso repetir o ditado do trecho acima, preciso?...

*******

Agora que meu pai está em casa - ele ainda está de férias -, tem-se assistido a um canal de televisão cearense, a TV Diário. Nele, há um programa hilário chamado "Nas Garras da Patrulha".
O programa, com um texto muito bem-humorado e inteligente, é feito com bonecos; tem vários quadros, que variam durante a semana. Até os comerciais são embutidos no programa, e feitos de uma forma que pareçam quadros do próprio.
Há vários personagens, mas o meu preferido é o Coxinha, o "homem tesoura": ele é a típica pessoa que fala muito bem dos outros pela frente e muito mal pelas costas. As cenas são engraçadíssimas, e as expressões (muitas vezes próprias do cearês) contribuem ainda mais para a graça do quadro.
Também gosto de "A Piada do Dia", quadro em que internautas mandam uma piada e ela é interpretada pelos bonecos. Outro dia ri muito com a seguinte:

Dois velhinhos jogam cartas
Um velhinho: Agora é eu.
Outro velhinho: Não, "sou" eu.
Um velhinho: E quando é que é eu?

Assim contando pode não ter muita graça, mas na hora me esborrachei de rir. Adoro piadas com dados lingüísticos!
Quem sintonizar esse canal em casa, não deixe de assistir a "Nas Garras da Patrulha". O programa vai ao ar às 17:30h, e reprisa no dia seguinte (não lembro agora o horário da reprise). Vale a pena!

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Já que falei em humor, não posso me esquecer de uma coisa: fizeram uma peça de teatro baseada no jogo "The Secret of Monkey Island"! [3] Isso mostra a forma inegável que esse clássico point'n'click até hoje.
Há um site com as duas primeiras parte da peça. Baixei e assisti: é impressionante como a adaptação é boa! Claro que há mudanças, devido às diferenças entre os gêneros, mas mesmo assim ri muito com a peça.
Será que se traduzida seria bem sucedida no Brasil? Creio que sim!

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Eu tinha prometido a mim mesmo que não falaria sobre política neste post, mas não resisto: ainda quero fazer um curso de interpretação dramática com Roberto Jefferson! :-D

Depois de um loooongo post, coerente com o tempo que não postei, vou encerrando por aqui. Espero que tenham gostado!

___________________
[1] Livro dos Sonetos: 1500 a 1900, organização de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 2002.
[2] Este poema não é do Renato Russo!!!
[3] Para mais informações, ver post do dia 29 de Fevereiro de 2004.

11:11:32 PM Comments:


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